O espaço que envelhece com você: o que a arquitetura tem a ver com os seus próximos 30 anos

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Imaginemos uma manhã comum em qualquer cidade por aí: alguém acorda, vai ao banheiro no escuro, tropeça no batente que nunca incomodou tanto antes, segura a parede porque não há barra de apoio, e pensa que está ficando velho. Não está. Está vivendo num espaço que nunca foi pensado para o corpo que ele tem hoje. Esse é o ponto que me interessa. Envelhecer todos (os que tiverem sorte) vão. Mas até que ponto a arquitetura ignora estes processos? As projeções nos dizem que o Brasil vai ter 58 milhões de pessoas com mais de 60 anos em 2060. E o que estamos construindo para receber esse contingente? Apartamentos com corredores de 80 centímetros. Banheiros onde dois adultos mal conseguem se virar. Entradas sem rampas. Calçadas que parecem ter sido projetadas para testar equilíbrio. A cidade, como eu costumo repetir por aqui, nunca te viu. E a maioria dos lares também não. "Aging in place" não é um conceito de design escandinavo importado para Instagram. É o direito de permanecer no ...

E o Oscar vai para...

Na verdade eu não vi todos os filmes que concorrem ao Oscar 2013. Vi apenas O Lado Bom da Vida. Que é um filme bom, mas mediano. Quero falar de outro filme que não vi (ainda), mas que me chamou a atenção desde que ouvi falar de sua história. Amor. A história creio que muitos já sabem do que se trata, um casal apaixonado que envelhece e vive as agruras da doença, da senilidade, do fim. E aí reside o que quero falar. Os comentários que ouvi sobre o filme. Que iam do "Não vai ver que é triste" ao "Pelo amor de Deus não vá que é deprimente". 

Eu, que convivo com a doença, com a senilidade, com o envelhecimento de duas pessoas que amo demais, meus pais, no meu dia a dia, sei o quão triste e deprimente é ver as pessoas que se ama se findando. Mais que a fragilidade física, a mental nos mata por dentro. Nossos heróis, nossos amores, nossa força se esvai naqueles braços frágeis, nas pernas que cambaleiam, na mente que esquece. Não é fácil. É duro. Mas aí que o Amor se revela. 

Amor não é apenas barriga de tanquinho, pele dura e tesão bonito. Isso também é. Não é apenas dias de festa e sorrisos. Amor é apesar de. É doação. É compreensão pelas limitações e pelo sofrimento que a presença da morte causa.

Há várias formas de enfrentar. Fuga é uma delas. Aceitar e entender o papel da Vida outra. E para mim essa é a mensagem do filme. Pode não ganhar o Oscar. Isso é apenas uma estatueta. Mas pode sim ganhar um significado que não tem preço: aprender que o Amor de verdade significa. Dentro de cada um.
 




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