A cidade que não te vê: quando o espaço urbano envelhece mais rápido do que aprende

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  Há uma cena que se repete em muitas de nossas cidades com uma regularidade que incomoda. Uma pessoa idosa para na esquina, olha para os dois lados, e espera. E muitas vezes o sinal já abriu. Ela espera porque sabe, por experiência acumulada no corpo, que o tempo de travessia não foi feito para o seu passo. Ela aprendeu a calcular antes de sair de casa. Calcular nas calçadas. E calcular mais uma vez, nas esquinas, enquanto os carros aguardam com uma impaciência que não se disfarça. As engrenagens e buzinas que o digam.  Essa cena dura talvez trinta segundos. Ela não costuma aparecer em nenhum relatório de mobilidade urbana. E é justamente por isso que precisamos falar.  A hostilidade que afasta Existe um tipo de arquitetura hostil que já se fala bastante: o banco com divisória no meio para impedir que alguém deite, o piso pontiagudo embaixo do viaduto, a cerca elétrica que delimita o que é de quem. São dispositivos que dizem, sem ambiguidade, você não pode ficar aqui...

Tentando reciclar

Eu estou a quase uma semana de molho no hospital, acompanhando minha mãe que teve uma queda e está investigando as possiveis causas.
Tenho uma grande experiência em ficar em hospitais já que, desde 2005, essa deve ser a oitava ou nona internação do pai ou da mãe. Sem contar a vez em que os dois estavam aqui....
De cada vez faço um reparo sobre alguma coisa ou rotina. Dessa vez é a reciclagem do lixo. Fico doida em jogar tudo no mesmo saco - e nem falo do material do paciente. Mas do acompanhante....em poucos dias já tinha separado um saco com embalagens, latinhas de guaraná, plásticos....ia ver se tinha um jeito de colocar em algum lixo reciclável mas nem deu tempo para perguntar. Na volta de um exame lá tinha ido meu lixo seco misturado ao outro....
Essa coisa de hábito é complicado, depois que a gente é assimilado não sai mais....

PS: Depois fui conversar com a moça da limpeza dos quartos para ver como era tratado o lixo. E ela me disse que ela separava em dois sacos depois de retirar dos quartos (menos mal). Mas na hora de dar as sugestões no dia da alta vou "sugestionar" que coloquem cestas para lixo seco nos quartos. Da outra vez dei sugestão para arrumarem as instalações de água porque demorava para esquentar a água do banho e gastava muita água. Não sei se foi isso ou se foi a manutenção do próprio hospital, mas agora o banho está bem mais racional...

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