Comunicação pública, acessibilidade e cidadania: quando as escolhas falam mais alto

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Vivemos tempos curiosos. Nunca produzimos tanta informação e, ainda assim, milhões de pessoas seguem excluídas de decisões que afetam diretamente suas vidas. Muitas vezes a barreira não está na falta de acesso à internet ou aos meios de comunicação. Ela se encontra muitas vezes na linguagem, na complexidade desnecessária, na distância criada entre quem comunica e quem precisa compreender. Foi com essa reflexão que participei, como assessora de acessibilidade, do 1º Congresso Gaúcho de Comunicação Pública, realizado em Porto Alegre. Promovido pela Dominus Consultoria e Capacitação em parceria com a Estratégia de Comunicação & Copy Sawitzki Inovação e Experiência Humana, o evento reuniu profissionais, gestores públicos, pesquisadores e especialistas para discutir temas que hoje ocupam lugar central na vida democrática. Ao longo do dia, palestrantes como Sandra Bitencourt, Maria José Finatto, Rodrigo Abella, Soraia Hanna, Daniela Machado, Leandro Rolim e Gustavo Ferenci compartilhar...

Arquiteto - artista e/ou técnico ?

Imagem de Elenara Stein Leitão feita no Polyvore


"O arquiteto é essencialmente eclético, por isso, se encaixa nas três atividades (artista, profissional liberal, empresário) e em mais outras tantas. Nosso trabalho é criar instrumentos de cidadania, construir nosso estar-no-mundo. Ao procurarmos dar forma à encomenda, somos interpretadores das necessidades do homem: na família, nas instituições, na cidade, no País. O arquiteto tem de saber interpretar todos os sinais e as dimensões de cada situação. Sintonizado com as tecnologias e estimulando o avanço delas. Tem de ter a capacidade de participar da produção como um agente crítico, propondo soluções e  encontrando caminhos mais completos, mais abrangentes. Afinal, arquitetura é o espaço-síntese de toda a cultura." Gustavo Penna
Pois é, uma discussão e tanto. E uma excelente reflexão que corre em uma lista de arquitetura que participo. Afinal Arquiteto é artista, é técnico, é ambas as coisas ? Até que ponto o do cliente é relevante, ou mais preponderante que o sonho do Arquiteto ou a sua visão do que aquela obra poderá reverter para o mundo ou sociedade em questão. Se formos pensar na Arquitetura como contribuição cultural é meio obvio que ela se aproxima das Artes, das grandes obras que marcaram época, que mais que construções foram - e são - beleza, instigação, descoberta, mensagem. 

Mas e na vida comum ? Na sua casa, no seu apartamento, na sua vida ? Você procura em mim, em nós, uma reflexão sobre o momento da sociedade, sobre o seu momento...ou procura uma resposta técnica sobre um problema técnico ? Você procura um arquiteto autoral, com conteúdo, é obvio. Ou procura um profissional que lhe dê assessoria na construção ? Ou os dois ?

Você pagaria para alguém realizar o sonho dele sobre a sua (dele) concepção para o seu problema ?  Ou gostaria de fazer isso em conjunto ? Falando assim parece meio obvio, mas vou fazer uma analogia bem singela com um exemplo bem prosaico que me aconteceu. Eu ia sempre no mesmo cabeleireiro, e pedia o mesmo e ele fazia. E eu descontente porque ficava sempre com a mesma cara...já ia mudar de profissional quando um dia pedi algo novo. Ele me olhou sério e disse: então tem que se entregar. E foi o que fiz. Morrendo de medo. Mas fiz. E deixei que a veia artística dele fluísse. E o resultado foi o que eu queria há muito tempo: mudança e das boas. E esse "tem que se entregar" me acompanha hoje em muitas situações. Seria muito diferente para um cliente ? Estaria ele disposta a se entregar para obter o que nem ele mesmo sabe direito o que será, mas será algo novo, algo que o faça sonhar ?

Deixo com você que me lê essa indagação. Gostaria de saber como você pensa a respeito

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