Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Maquetes, quem não enlouqueceu fazendo uma ?

Todo estudante de Arquitetura passou por situações estressantes durante o curso. Uma delas: as maquetes de estudo da Forma. Conta uma lenda da Faculdade de Arquitetura da UFRGS que um aluno vinha com a sua, feita de palitos de fósforos, que lhe custara algumas noites em claro, e ao atravessar a rua, ela caiu e foi parar em frente a um ônibus...e que esse bravo rapaz não teve dúvidas, se jogou também e salvou a maquete....Folclore ? Sei não, quem passou noites em claro, acho que também não duvida. Eu vi uma cena insólita numa noite de sexta feira na biblioteca da UFRGS, nos anos 80. Uma aluna, em meio a uma pilha de papeis manteiga (a gente não tinha computador, nem notes...tudo era feito a mão), teve um ataque histérico. Começou a gritar, amassou os projetos, jogou longe ! Silêncio no recinto. Ninguém falava nada. Poucos respiravam...Após desabafar, ela ficou mais calma, foi até a pilha de papéis amassados, desamassou um por um e voltou a trabalhar...
 Voltando às maquetes. A gente tinha uma noção básica de como fazer e o resto era pesquisa. E pelo jeito continua sendo como vi nesse blog daqui. E por isso me encantei ao ver essas esculturas feitas em palitos. A maquete real é um valioso instrumento de trabalho. Naquela época mais ainda. Não haviam as maquetes virtuais, para se visualizar um projeto e suas implicações era vital fazer esses modelos em escala menor que ajudam o projetista a ver tudo o que projetou e se for o caso, retificar muita coisa, ou solucionar problemas práticos com mais presteza.
 Mas a maquete é um trabalho de paciência. E tem o seu custo. Difícil de embutir em um projeto normal. Uma pena porque para o próprio cliente é um instrumento para ver seu projeto e evitar surpresas ao estar a obra pronta.


Fontes das fotos Sovaco de sapo e Toothpickcity

Comentários

  1. oi Elenara
    Nunca fiz maquetes, mas acho que numa situa;áo como essa tb me jogaria na frente do onibus! eheheheh Tem horas que fazemos coisas sem pestanejar... depois nos damos conta do perigo que corremos, mas dai... já passou! hehehehe
    beijos!
    Saudade de vc :)

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  2. Pois é, Claudia, a gente faz loucuras por projetos ! Que bom te ver por aqui ! Beijos

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