A cidade que não te vê: quando o espaço urbano envelhece mais rápido do que aprende

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  Há uma cena que se repete em muitas de nossas cidades com uma regularidade que incomoda. Uma pessoa idosa para na esquina, olha para os dois lados, e espera. E muitas vezes o sinal já abriu. Ela espera porque sabe, por experiência acumulada no corpo, que o tempo de travessia não foi feito para o seu passo. Ela aprendeu a calcular antes de sair de casa. Calcular nas calçadas. E calcular mais uma vez, nas esquinas, enquanto os carros aguardam com uma impaciência que não se disfarça. As engrenagens e buzinas que o digam.  Essa cena dura talvez trinta segundos. Ela não costuma aparecer em nenhum relatório de mobilidade urbana. E é justamente por isso que precisamos falar.  A hostilidade que afasta Existe um tipo de arquitetura hostil que já se fala bastante: o banco com divisória no meio para impedir que alguém deite, o piso pontiagudo embaixo do viaduto, a cerca elétrica que delimita o que é de quem. São dispositivos que dizem, sem ambiguidade, você não pode ficar aqui...

Da cama se vê a lua



Olha o Loft da reforma ganhando vida e ocupação. O Marco não aguentou esperar a conclusão e se mudou de colchão e geladeira para o novo espaço. Da cama do casal se vê a lua, as estrelas....e no horizonte a Serra da Cantareira.

Metade do primeiro piso ainda é canteiro de obras, mas já dá para cozinhar. No piso superior a mudança ainda está encaixotada, uma viga do antigo telheiro (todas foram aproveitadas!) que será usada para suportar a bancada de trabalho. 
Colaboração de Oscar Muller



Bacana mostrar obras de gente como a gente, que vai fazendo aos poucos e não abre mão de seus sonhos. 

Comentários

  1. Além do esforço notável na reciclagem, repare nos cuidados do Marco, deixando aparentes todas as estruturas que encontrou, adotando uma linguagem que conta a estória do imóvel, na medida em que mantém os dentes das alvenarias, as texturas dos materiais originais...

    Não encontramos com facilidade esta procupação entre colegas experientes!

    Oscar

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  2. É verdade. Nem todos os colegas se preocupam com isso. Estou adorando a saga da reforma do Marco.
    Abraços

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  3. Um achado cheio de poesia e boas soluções.

    Bom dia!

    ResponderExcluir

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