Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Palpite NÃO é projeto




  1. opinião ou sugestão, podendo ou não fundamentar-se técnica ou profissionalmente
  2. (Figurado) pressentimento

Sinônimo

Várias pessoas se dirigem aos profissionais, no meu caso, arquiteta, pedindo um palpite. Conforme o grau de amizade até posso dar um pitaco. Mas ele é APENAS isso. Um palpite. Embora venha de um profissional, é bem diferente de um projeto. 

pro.je.to masculino [Datação: 1680]
  1. plano para a realização de uma ação; esboço
  2. representação gráfica ou escrita, acompanhada de um orçamento que demonstre o preço de uma obra
  3. cometimento; empresa; empreitada
  4. desígnio; tenção
  5. (filosofia existencialista) aquilo para que o Homem tende e constitui o seu verdadeiro ser


    Para resolver um problema espacial, um arquiteto trabalha em três dimensões. Trabalha com luz, com necessidades, com medidas e condicionantes que vão desde condições financeiras do cliente à viabilidade dos materiais e mão de obra.

    Além disso, é da resolução dessa intricada problemática que surge a "solucionática",como diria um antigo jogador de futebol gaúcho. Ou seja: a solução que vai gerar o projeto com detalhamento, orçamento e provável satisfação do cliente. E é desse solucionar problemas que vive o ser arquiteto. Por incrível que pareça, ele tem contas a pagar, tem que ler, se atualizar, comprar equipamentos e estudar para que continue sendo um profissional que atraia clientes.


    Existe uma modalidade de estudos chamada consultoria que a maioria dos Arquitetos e Designers prestam. Na próxima vez que for pedir um pitaco, lembre-se de pedir um orçamento para que o seu problema tenha uma solução bem mais profissional e bem resolvida, que só vai lhe trazer mais satisfação.  

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