A cidade que não te vê: quando o espaço urbano envelhece mais rápido do que aprende

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  Há uma cena que se repete em muitas de nossas cidades com uma regularidade que incomoda. Uma pessoa idosa para na esquina, olha para os dois lados, e espera. E muitas vezes o sinal já abriu. Ela espera porque sabe, por experiência acumulada no corpo, que o tempo de travessia não foi feito para o seu passo. Ela aprendeu a calcular antes de sair de casa. Calcular nas calçadas. E calcular mais uma vez, nas esquinas, enquanto os carros aguardam com uma impaciência que não se disfarça. As engrenagens e buzinas que o digam.  Essa cena dura talvez trinta segundos. Ela não costuma aparecer em nenhum relatório de mobilidade urbana. E é justamente por isso que precisamos falar.  A hostilidade que afasta Existe um tipo de arquitetura hostil que já se fala bastante: o banco com divisória no meio para impedir que alguém deite, o piso pontiagudo embaixo do viaduto, a cerca elétrica que delimita o que é de quem. São dispositivos que dizem, sem ambiguidade, você não pode ficar aqui...

Arquitetando sonhos

A gente tem que sonhar, senão as coisas não acontecem.
Eu, que vivo de realizar sonhos alheios, as vezes (muitas) me esqueço dos meus. Recebi esses dias um e-mail de uma prima muito querida. E ela me falava de uma coisa linda : arquitetar sonhos. Planeja-los, sonhar com eles....deixo com vocês (e comigo) suas palavras. Obrigada Heloísa por me recordar

....vou te contar umas estorinhas...
Há pelo menos uns 15 anos passava em determinado lugar,  olhava e dizia:
- Essa é a vista de 1 milhão de dólares! Um dia vou construir uma casinha para mim aqui, plantar um pé de goiabeira, outro de laranjeira, um tomateiro...
E por aí ia...
A cada dia que passava, olhava, suspirava, sonhava...

15 anos se passaram entre suspiros e sonhos!
Um dia, num belo dia de sol, comprei meu apartamento no local.
Bem certo que não tenho a vista de 1 milhão de dólares, mas tenho U$ 500 mil: um pedacinho do lago, que admiro todas as manhãs, sentada na varanda, no meio dos beija flores!
Há quase trinta anos sonhava com um apartamento menor, de dois quartos, com varandas!
Outro dia, fazendo limpeza nos armários da garagem, vi minha agenda velha, dos idos anos 80, com recortes de jornais com anúncios de apartamentos de dois quartos com varandas...
Passei os últimos dez anos olhando carros... qual eu compraria?
Tantas as marcas, os tipos, as cores...
Toda vez que eu olhava um bonito, ia ver a marca e lá estava ele!
Assim se passaram os anos...pelo menos uns dez!
Olhava, achava bonito, ia ver a marca e lá estava ele!
Semana retrasada, entrei numa loja, achei mais uma vez bonito, entre tantos outros, e hoje ele está lá, na minha garagem.
Sonhos são a mola propulsora do nosso eu... uns, de consumo, outros de amor, alguns de realizações...não importa!
O importante é sonhar!
Esse é o primeiro passo para um dia sentir o que hoje eu sinto!
Agora pouco ( levantei cedo... 6 h... ) abri a porta que dá para a varanda de meu quarto e meus beija flores estavam lá, bicando as amarelas, vermelhas e azuis do jardim...

Qual vai ser meu próximo sonho?....

Quem sabe?...


E o seu?
 


Comentários

  1. adorei o post, me fez relembra de alguns sonhos que tinha quando era mais jovem, alguns já realizados que se for analizar nem dou tanto valor hoje,que sei o que realmente é importante para mim, outros que sonhei tanto e aconteceu de maneira tão diferente, mas mil vezes melhor do que podia imaginar, hoje agradeço por isso! e é claro continuo sempre sonhando!
    bjs

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