Arquitetura, longevidade e o afeto como tecnologia

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Minha jornada é feita de arquitetura, escritas, buscas de pesquisadora e o ato de comunicar. Tudo junto. Amalgamado. São essas as moradas onde habito e onde meus sentimentos criam raízes.   Entre plantas baixas, livros, encontros intergeracionais e projetos coletivos, fui encontrando um eixo comum: o afeto como tecnologia humana. Esta percepção sustenta meu trabalho e define minha atuação entre a técnica e a escuta, entre os espaços e a cidade que temos e os que precisamos construir. Fundamentos Técnicos e o Olhar para o Futuro Sou arquiteta formada pela UFRGS (1982), com especialização em Engenharia de Produção focada na construção civil pela mesma instituição (1998). Esta base técnica me permite atuar com precisão na criação de ambientes seguros, onde o desenho arquitetônico serve como suporte para a autonomia ao longo da vida.  Minha prática profissional hoje é dedicada à pesquisa em gerontoarquitetura e ao conceito de aging in place, a capacidade de viver em sua própr...

Casas acessíveis para idosos

Nessa semana, no dia 24, vamos comemorar os 90 anos de meu pai. Essa é uma data fantástica e com certeza sei que sou uma privilegiada por contar com meus pais comigo. E nessa trajetória enfrentamos algumas doenças que lhes trouxeram algum tipo de dificuldade.

Minha casa, como bom exemplo de uma arquitetura e ambientação de alguns anos atrás, não foi pensada para pessoas que podiam um dia envelhecer. Nem o meu edifício. Há muitos anos atrás eu tive que colocar uma tala de gesso e ao chegar na garagem me deparei com o que ? Seis degraus entre o elevador e o piso da garagem. Subi sentada. Mas hoje meu pai tem maior dificuldade por uma séria artrose no quadril. Pensamos em fazer uma rampa, mas como ela teria que ter uma inclinação muito alta (12,5%), foi decidido que o elevador vais ser rebaixado até o térreo. Mas isso é obra para o ano que vem.

No meu apartamento tivemos que fazer algumas adaptações. As principais foram nos banheiros. Tapetes soltos sumiram, e luzes mais claras foram colocadas. A poltrona onde meu pai senta recebeu pés mais altos porque auxilia para quem tem artrose e para quem tem dificuldade de levantar. Tenho muito verde e fotos que lembram bons momentos espalhadas por onde eles ficam. Abaixo algumas dicas pessoais e de colegas para adaptar uma casa para nossos idosos. Ao lado da cama instalei campainhas para que possam chamar em caso de necessidade.
  • Colocação de barras de apoio ao lado do vaso sanitário.
  • Um descoberta pessoal, usar uma barra de apoio em frente ao vaso, no caso de banheiros estreitos, permite que a pessoa possa se apoiar para levantar.
  • Usar tapetes antiderrapantes.
  • Eliminar ou suavizar barreiras e degraus nos boxes
  • Usar barras de apoio no box e bancos para o banho. Existem modelos fixos ou móveis, a escolha vai depender de sua necessidade.
  • Usar duchinhas no chuveiro, e se for possível registros monocomandos do lado de abertura da porta do box
  • Não usar chaves no banheiro.
  • Evitar fios soltos e objetos jogados que possam causar quedas
  • Pisos devem ser sempre antiderrpantes
  • Para quem necessita usar cadeiras de rodas, procure usar rodapés altos (30 cm) 
Veja mais em http://www.casasegura.arq.br



Mas o mais importante, mais até que a arquitetura inclusiva, é saber que pessoas podem envelhecer, podem ficar mais frágeis, mas continuam as mesmas que amamos, seus sentimentos e necessidades não diferem muito dos nossos. Talvez sejam mais dependentes hoje do que eram, mas continuam nossos pais e mães (ou avós, tios, amigos...) e esperam de nós atenção e companhia. Ouvir. Ouvir muito. Perguntar pelos seus feitos, lembra-los o tanto que fizeram, mostrar nosso orgulho deles. É a nossa hora de retribuir o tanto que fizeram por nós. Arrumar a casa para eles é um dos detalhes. 

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