Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Que se faça acontecer

Que se almeje o inalcançável.

Que se sonhe com quimeras, que se construam utopias, que se viva com paixão.

Que se lute por momentos mais intensos, com muita garra e tesão.

Que se abram as comportas, que se rompam as barreiras, que se viva em comunhão.

Que haja espaço para solidariedade, prá inteira liberdade de viver. Cada um com sua essência, olho no olho, coração.

Que se grite: Liberdade! Que se brigue pela grande Revolução – a de ser inteiro novamente e de fazer parte da grande Criação.

Que se levantem bandeiras, que se construam movimentos, que se preste homenagem a quem vive com paixão, a quem olhe com ternura cada momento vivido, cada dia que começa, cada pessoa que passa, com olhos de admiração, como quem presencia um milagre acontecendo.

Que se queira a impossibilidade, que se busque o improvável, que se chegue (ao menos por instantes) ao mistério do incógnito, a magia de perder os sentidos, de viver sem razão. Pois que a Razão nunca construiu sonhos nem vislumbrou paraísos. Jamais pintou um grande quadro, nem escreveu uma grande canção. Nunca chorou desesperada, nem gozou de um momento sublime. A razão é uma senhora circunspecta - daquelas diretoras de internato –eternamente virgens – cheias de caráter. A razão, no fundo, é uma senhora muito chata...

Eis porque é necessário que se peça um alto falante para gritar a todo instante nossa dor e nosso amor. Para que se saiba que sozinho não está quem estende a mão e o coração.

Que se busque a alegria, que se encontre beleza, que se queira a perfeição – de ser imperfeito.

Que se ria com clareza, que se chore de tristeza, que se brigue com presteza.
Que se mantenha sempre viva a alma prá entender a grandeza de quem reivindica- por Amor.

Que se peça o impossível, sim.

Que se peça por humanidade, que se peça por justiça, que se grite: Liberdade.

E que finalmente se tenha emoção. E muito tesão (sem o qual, realmente, não há solução...)

Elenara Stein Leitão

Comentários

  1. Hum, vc. amanheceu bem inspirada. Que bom!! Beijos e uma ótima 6a feira.

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  2. Ana Maria e Liliane,

    Obrigada pelos comentários e visita. Apareçam sempre.
    Abraços
    Elenara

    ResponderExcluir
  3. Viver sem a ... eternamente virgem.
    Tesão é tão necessário.

    Arquiteta de palavras.
    Projeto de emoções.


    Linda Tarde!
    Beijos

    ResponderExcluir

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