O espaço que envelhece com você: o que a arquitetura tem a ver com os seus próximos 30 anos

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Imaginemos uma manhã comum em qualquer cidade por aí: alguém acorda, vai ao banheiro no escuro, tropeça no batente que nunca incomodou tanto antes, segura a parede porque não há barra de apoio, e pensa que está ficando velho. Não está. Está vivendo num espaço que nunca foi pensado para o corpo que ele tem hoje. Esse é o ponto que me interessa. Envelhecer todos (os que tiverem sorte) vão. Mas até que ponto a arquitetura ignora estes processos? As projeções nos dizem que o Brasil vai ter 58 milhões de pessoas com mais de 60 anos em 2060. E o que estamos construindo para receber esse contingente? Apartamentos com corredores de 80 centímetros. Banheiros onde dois adultos mal conseguem se virar. Entradas sem rampas. Calçadas que parecem ter sido projetadas para testar equilíbrio. A cidade, como eu costumo repetir por aqui, nunca te viu. E a maioria dos lares também não. "Aging in place" não é um conceito de design escandinavo importado para Instagram. É o direito de permanecer no ...

Para que as mulheres tenham plenos direitos à cidade"


Carta Europeia das Mulheres na Cidade







DECLARAÇÃO EM DOZE TÓPICOS

'Para que as mulheres tenham plenos direitos à cidade"
 As mulheres na cidade e ...a

1.A  CIDADANIA ATIVA
O modo de exercício da cidadania ativa deve ser abordado a partir de uma reflexão baseando-se por um lado, sobre a influência do local de vida e por outro lado sobre o  funcionamento das instâncias de representação e os mecanismos econômicos e políticos que fazem a cidade.

2. A TOMADA DE DECISÕES E A DEMOCRACIA PARITÁRIA
As mulheres devem estar associadas a todos os níveis de decisão em matéria de planejamento territorial,  urbano,  habitacional de transportes e meio ambiente.

3. A IGUALDADE DE OPORTUNIDADES
A igualdade de oportunidades deve ser favorecida na educação e na pesquisa, no seio de todas as instâncias profissionais e no exercício de todas as profissões relativas ao planejamento territorial, ao espaço urbano, ao habitat, à mobilidade, e à segurança urbana.

4. A  PARTICIPAÇÃO
Processos participativos equitativos com respeito às mulheres devem ser instituídos  tendo em vista  favorecer novas relações de solidariedade.

5. A VIDA COTIDIANA
As contingências da vida cotidiana, analisadas do ponto de vista das mulheres, devem tornar-se um compromisso político.

6.O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
As mulheres devem estar plenamente associadas às políticas de manutenção do equilíbrio ecológico do nosso planeta.

7. A SEGURANÇA E A MOBILIDADE
Todas as mulheres, e em particular aquelas entre os mais desfavorecidos e isolados, devem dispor de todas as facilidades de acesso aos transportes a fim de poder se locomover livremente e em total segurança para poder gozar plenamente da vida econômica, social e cultural da cidade.
As mulheres têm igualmente "direito à cidade".

8. O DIREITO À MORADIA E AO HABITAT
As mulheres têm direito a uma moradia e um habitat apropriados.

9. A DIMENSÃO DO GÊNERO
A dimensão do gênero aplicada à cidade, deve ser admitida como fonte de uma nova cultura partilhada, além de  participar da elaboração de uma nova filosofia de planificação e planejamento territorial.

10. O ENSINO E A EXPERIMENTAÇÃO LOCAL
A dimensão do gênero aplicada à cidade deve ser  ensinada nas escolas, nos institutos de arquitetura e urbanismo, assim como nas universidades. A experimentação nas cidades deve ser empreendida urgentemente para incitar mudanças.

11. O PAPEL DA MÍDIA E A TRANSMISSÃO DE CONHECIMENTOS ADQUIRIDOS
A mídia deve procurar difundir mensagens que vão de encontro aos estereótipos e mostrar mulheres em papéis que reflitam a sua evolução e emancipação.

12. AS REDES
Deve ser criada uma rede de troca de informação em escala europeia, para promover a Carta  e a aplicação dos princípios que ela encerra.


Veja matéria completa AQUI 

Quais são os elementos e fatores cruciais na cidade que afetam particularmente a vida das mulheres?
- A destribuição e as possibilidades de acesso ao emprego.
- O número e a qualidade de serviços cotidianos, serviços comunitários, em particular aqueles relativos à guarda de crianças.
- O acesso ao centro de decisões com respeito à cidade, à cultura e ao lazer.
- A segurança e a luta contra todos os fatores de insegurança na cidade.
- O aumento da mobilidade para todos e todas, isto é, escolhas mais democráticas entre transportes individuais e coletivos.
-A qualidade e a preservação do meio ambiente.


Quais são os caminhos para traduzir os interesses das mulheres ?
- Implicar as mulheres e renovar as maneiras de tomadas de decisão.
- Multiplicar as trocas de informação e projetos inovadores.
- Determinar os indicadores principais da cidade de ordem sócio-econômica e cultural do ponto de vista das mulheres.
- Sensibilizar os homens  e formá-los dentro de um processo de pensamento, que inclua plenamente o gênero, ou seja, os dois sexos.

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