Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Qual é o cheiro da sua cidade?


Somos seres sensoriais. Nossa memória se abastece dos sentidos e o olfato é um deles. Bastante poderoso. Já li que um dos atrativos sexuais mais potentes é o cheiro da outra pessoa e a sua força sobre nós. A arquitetura leva em consideração também esse aspecto sensorial em alguns casos.


Mas nunca tinha visto um estudo de cheiros nas cidades. Já vi muitos sobre poluição, mas uma pesquisa sobre a complexidade olfativa traduzida em mapas de cheiro urbanos me surpreendeu. Agradável surpresa. A proposta é justamente que as pessoas comecem a colocar os cheiros como uma preocupação nas agendas de pesquisas urbanas. 
Smell in the cities

Mas e como marcar ou pesquisar cheiros? Não é uma tarefa fácil, embora, segundo os pesquisadores "os seres humanos sejam capazes de discriminar potencialmente um trilhão de odores diferentes." O método usado foi a percepção das pessoas, seja o que descrevem em redes sociais como quando participam de pesquisas onde são descritas as palavras (referentes a cheiros) que lhes vem a mente enquanto passeiam em pontos urbanos.  
Smell in the cities
O estudo gerou mapas de cheiros nas cidades
O que eles esperam com isso? Incluir a percepção de que os cheiros são importantes dados para planejadores urbanos. E daí eu me lembrei de um túnel verde que tinha no caminho que ia de Porto Alegre para Novo Hamburgo. Até hoje, passados mais de 50 anos, eu me lembro da sensação fantástica que era sentir o cheiro que vinha daquelas árvores! Nunca esqueci. Uma recordação muito marcante e boa da minha infância. Eles imaginam que os
"Smellscapes" poderiam fazer parte dos mapeamentos digitais, por exemplo, e serem facilmente pesquisáveis por todos que quisessem escolher roteiros que fossem olfativamente mais agradáveis. 


Já chego a imaginar um caminho dos aromas nativos. Ou da gastronomia do local. Ou das plantas aromáticas.....


E você? Já parou para pensar nos cheiros da sua cidade? Tem alguma lembrança que gostaria de compartilhar com a gente?

Fonte

 
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