Arquitetura, longevidade e o afeto como tecnologia

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Minha jornada é feita de arquitetura, escritas, buscas de pesquisadora e o ato de comunicar. Tudo junto. Amalgamado. São essas as moradas onde habito e onde meus sentimentos criam raízes.   Entre plantas baixas, livros, encontros intergeracionais e projetos coletivos, fui encontrando um eixo comum: o afeto como tecnologia humana. Esta percepção sustenta meu trabalho e define minha atuação entre a técnica e a escuta, entre os espaços e a cidade que temos e os que precisamos construir. Fundamentos Técnicos e o Olhar para o Futuro Sou arquiteta formada pela UFRGS (1982), com especialização em Engenharia de Produção focada na construção civil pela mesma instituição (1998). Esta base técnica me permite atuar com precisão na criação de ambientes seguros, onde o desenho arquitetônico serve como suporte para a autonomia ao longo da vida.  Minha prática profissional hoje é dedicada à pesquisa em gerontoarquitetura e ao conceito de aging in place, a capacidade de viver em sua própr...

Procuram-se arquitetos que ouçam mais

Nessa semana comemoramos no Brasil o dia do Arquiteto e Urbanista (15 de dezembro). 

Vivemos um interessante paradoxo. É uma profissão admirada por uma maioria de pessoas que buscam avidamente informações para incrementar suas casas e espaços de convívio. Mas, ao mesmo tempo, é um campo pouco debatido criticamente e seus profissionais, com honrosas exceções, se queixam de muito sacrifício e pouco reconhecimento. 
 


Lendo um artigo de como reconstruir a Arquitetura me deparo com um questionamento super válido, inclusive aqui:

"Até que ponto o potencial da arquitetura para melhorar a vida humana está se perdendo pela sua incapacidade de se conectar com os seres humanos reais?"

Muitas obras consideradas fantásticas pelos arquitetos, são vistas com estranheza por muitos leigos. E isso não é exceção. Grandes mestres concebem obras fabulosas para uma parcela muito pequena que pode arcar com os custos. Mas e a outra parcela? Estaremos sendo eficientes em responder aos desafios de um mundo carente de soluções, sejam urbanas, sejam em edifícios? Questões como mobilidade, eficiência energética, sustentabilidade, beleza x custos?


Interessante observar as inquietações que várias vezes dividi com colegas sobre essa questão, estar espelhada nesse artigo, mostrando que sim, são debates que são internacionais e mostram um perfil de profissional arquiteto que se espelha em grandes obras, se julga artista e acaba se esquecendo um dos princípios básicos da Arquitetura: aprender a ouvir. O olhar sensível e o ouvido atento fazem com que, antes de pensar em soluções bombásticas, nos debrucemos sobre os problemas que o cliente apresenta. E saibamos dar respostas adequadas à ele e ao meio ambiente onde a obra se localiza. 

Eles apontam, no artigo, que frente às tragédias que por vezes assolam o mundo, os arquitetos nem sempre estão preparados para as respostas mais adequadas. E pior, estão reproduzindo mundo afora, erros que tornaram nossas cidades lugares cada vez mais inóspitos e ineficientes. 



Isso reforça minha linha de procurar mostrar aqui soluções arquitetônicas que sejam sim criativas, mas que revelem um olhar também criativo e generoso sobre o cliente e suas necessidades. Soluções que busquem respostas no ambiente, que adéquem soluções para àquelas necessidades. Arquitetura que seja mais que uma escultura que satisfaça ao ego de uns e outros, mas "que sejam uma maneira de repensar a forma como respondemos às necessidades dos diversos públicos, projetando para eles e para os seus interesses, não para o nosso".  

Artigo original  

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