Café Alta Política- Metamorfose da Vida

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No Café Alta Política, no dia 14 de agosto de 2026, tive a oportunidade de representar o Coletivo Metamorfose da Vida e falar sobre envelhecimento, autonomia e o papel que cada pessoa pode assumir na construção da própria longevidade. O Café Alta Política é organizado por Julio Pujol e Giselle Hubbe. Um encontro no belo café do Margs em Porto Alegre. Este foi o 60º e teve como tema Leituras do Envelhecer. Junto comigo para um bate papo, o ex-vereador e Secretário Adjunto de Inclusão e Des. Humano de Porto Alegre e Vinicius Kaster, Secretário Adjunto de Esportes de Porto Alegre. Falei sobre minha formação como arquiteta, mestre em Engenharia de Produção e integrante do coletivo Metamorfose da Vida, e como uma experiência mudou minha maneira de olhar para a vida e para a arquitetura: durante cerca de 20 anos, acompanhei o envelhecimento e o adoecimento dos meus pais. E aprendi como a sala de espera de uma UTI pode ser uma espécie de pós-graduação sobre a condição humana. A partir dessa ...

Ponto de fuga ou ponto de vista ?

Um desafio de fotografia e lá me fui eu, boa ariana que sou, a entrar e a buscar referências de fotos minhas para postar no tema #arquitetura. E eis que as três escolhidas me revelam um fascínio meu por pontos de fuga.

Uma pausa: o que são pontos de fuga? 

O Ponto de fuga é um ente do plano de visão, que representa a interseção aparente de duas, ou mais, retas paralelas, segundo um observador num dado momento.Todo ponto de fuga situa-se na linha do horizonte.Fonte
Fonte
Quando entrei na faculdade de Arquitetura não tinha nem ideia do que seria isso. Um dos primeiros exercícios de introdução ao projeto urbano era visitar uma pequena cidade histórica perto e desenhá-la. Me lembro até hoje da professora, em grupo, dizendo delicadamente como era interessante meu ponto de vista, eu tinha desenhado uma axonométrica, como se eu visse a cidade de cima. Ao ver os desenho dos colegas, fui notar certas palavras novas: pontos de fuga. O que seria isso???? 

Para saber fui fazer o que sempre fiz com os desafios desconhecidos. Fui pesquisar. Não tinha internet e o Google nem pensava em existir. Qual o caminho? Biblioteca. Aliás, recomendo até hoje. Um sistema de busca e pesquisa fantásticos! De livro em livro e de exercício em exercício aprendi a usar os tais pontos de fuga e a desenhar em perspectiva. E me foi muito útil na vida universitária e profissional.

Talvez por isso a perspectiva me chame a atenção de maneira especial. Estas três fotos, tiradas com intervalos de algumas dezenas de anos mostram isso. É como se fossemos induzidos a um destino, nossos olhos e sentidos são guiados para um ponto algures no além, ponto esse que nos chama para que o alcancemos. Ponto de fuga? Ponto de vista? Os dois?

A arquitetura é fascinante porque mexe com os sentidos, mexe com as dimensões. Além das três conhecidas, altura, largura, profundidade, mexe também com a dimensão tempo. Arquitetura é perenidade. É impossível olhar um edifício sem pensar nas pessoas que ali habitaram. As paredes, mesmo que em ruínas, guardam e falam memórias. A vida se encontra além do que apenas vemos. Ponto de vista? 

Templo grego na Ágora grega em Atenas - 1990 - Foto Elenara Stein Leitão

Ruínas de São Miguel nas Missões Guaranis no Rio Grande do Sul - Foto de Elenara Stein Leitão

Fundação Iberê Camargo - projeto de Álvaro Siza em Porto Alegre - foto de Elenara Stein Leitão
As fotos que tirei em obras tão significativas me chamam a atenção para algo meu. Meu ponto de vista, minha perspectiva de ver e sentir o mundo. Como um chamamento a algo que instiga, que está ali na frente, que requer um caminho a ser percorrido, a ser pesquisado. A ser enfim compartilhado.

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