A cidade também envelhece. E a casa, às vezes, envelhece antes de nós

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Como arquiteta, tenho uma certa implicância com a ideia de que minha profissão seja apontada como algo que começa, e as vezes termina, essencialmente na estética. Talvez porque, depois de tantos anos de prática, trabalhando com espaços internos e externos, e as pessoas que ali vivem e circulam, tenha ficado cada vez mais evidente para mim que uma porta, uma escada, uma calçada ou uma janela podem interferir muito mais na vida de alguém do que aquilo que aparece nas fotografias dos projetos. Quando falamos de envelhecimento, isso fica ainda mais evidente. A realidade nos mostra que o Brasil está envelhecendo rapidamente. Aquela pirâmide etária que aprendemos a desenhar nos livros de geografia já não representa o país que temos. E ainda estamos tentando entender o que isso significa para as nossas casas, para as nossas cidades e para o sistema de saúde. Eu costumo pensar que há uma pergunta simples por trás de tudo isso: onde queremos envelhecer? A resposta da maioria das p...

Centro de saúde alia tradição ao contemporâneo

O Centro Pictou Landing, localizado na Nova Escócia, Canadá, foi pensado a partir de conceitos de utilização de recursos energéticos sustentáveis.

Os Mi'kmaq são povos indígenas do Canadá e para a construção de um Centro de Saúde para eles, o Landing Pictou, foi estabelecida uma troca de informações entre arquitetos locais e os anciãos e outros integrantes da comunidade para levantar o que a Nação considera como determinantes para um centro desse tipo, condicionantes ambientais, espirituais e culturais. Tudo isso proporcionou uma experiência única sobre o projeto, que foi construído com uma equipe local da comunidade e atendendo a normas da Health Canadá. Ou seja, uma união do tradicional com o contemporâneo. 

Segundo o que li na internet, o projeto foi baseado em técnicas construtivas da comunidade, usadas em suas moradias, assim como em detalhes de canoas e sapatos de neve (essa é uma região fria).

Uma pesquisa histórica mostrou como desenvolver e utilizar o sistema estrutural de treliças de madeira de abeto redondas, que é típico da cultura Mi'kmaq para suas moradias. Esse estudo se valeu de maquetes e confirmação por testes de resistência. Foram utilizadas mão de obra da comunidade e árvores da vizinhança.


O projeto realçou pontos como iluminação e ventilaçao natural em todos os ambientes. Uma fonte subterrânea garante calor e arrefecimento para todo o prédio. As crianças da comunidade também ajudaram a fazer uma das paredes de gesso internas, feita com terra local e que ajuda a estabilizar os níveis de umidade no interior.  

Porque gostei desse projeto? 


Pelo conceito. 

Uma das regras basicas da Arquitetura é conhecer o que se projeta. 

Esse conhecer inclui entender a cultura, entender o como as técnicas construtivas se firmaram e foram utilizadas com maior ou menor êxito, entender que as pessoas que vão utilizar uma construção tem que fazer parte do projeto, seja de forma mais estreita, seja pela compreensão de seus usos e costumes. Uma construção como essa é local. E também universal porque seus conceitos, o que norteou o seu projeto e execução em termos de parceria e interação, deveriam ser bem entendidos por quem vai projetar algo semelhante em outros locais.  
 
Arquitetura :701 Architecture

Fotografia Richard Kroeker - PDI







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