Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Transformando Espaços: Arquitetura para Idosos com Alzheimer

Imagem gerada no ChatGPT

O envelhecimento da população trouxe desafios que vão além das questões médicas. Entre eles, está a criação de ambientes que proporcionem conforto, segurança e suporte terapêutico para idosos com demência, especialmente os portadores de Alzheimer. Segundo o estudo de Sousa e Maia (2014), "o ambiente físico possui grande potencial para contribuir com a melhora dos sintomas da Doença de Alzheimer, sendo possível criar espaços que minimizem confusões e promovam a orientação espacial."

A progressão do Alzheimer, com sintomas como perda de memória, desorientação e alterações de humor, exige ambientes que favoreçam a autonomia e minimizem riscos. Baseando-se em evidências do estudo citado, algumas estratégias podem transformar a arquitetura em um recurso terapêutico:

1. Iluminação

Uma iluminação adequada é essencial para melhorar a orientação e o ritmo circadiano. Recomendam-se níveis de iluminância entre 300 e 700 lux, com luz uniforme e ausência de sombras que possam confundir o usuário. Sensores de movimento e lâmpadas dimerizáveis são ideais para ambientes residenciais, promovendo segurança e conforto

2. Contrastes e Cores

O uso de cores contrastantes é essencial para destacar elementos importantes, como corrimãos e bordas de escadas, e camuflar o que não deve ser acessado, como portas de áreas restritas. No banheiro, por exemplo, pisos e louças contrastantes reduzem acidentes.

3. Planejamento Espacial

Ambientes abertos, com boa visibilidade entre os cômodos, ajudam na orientação espacial. Elementos familiares, como fotos ou móveis antigos, reforçam a sensação de pertencimento e reduzem a ansiedade. Manter um layout simples e intuitivo é crucial.

4. Conforto Térmico

A sensibilidade à temperatura é maior em idosos com Alzheimer. Sistemas de aquecimento no piso e ar-condicionado silencioso ajudam a manter o conforto. É importante evitar zonas de calor concentrado ou correntes de ar que possam causar desconforto. 

5. Acústica

Ruídos excessivos podem aumentar a confusão e a irritabilidade. Materiais que absorvem som, como cortinas e carpetes, são aliados no conforto acústico. Sons agradáveis, como música suave ou cantos de pássaros, podem ativar memórias positivas.

Conclusão

Projetar ambientes para idosos com Alzheimer vai além da estética; é um ato de empatia e cuidado. Essas adaptações não apenas melhoram a funcionalidade do espaço, mas também resgatam a dignidade e promovem bem-estar para quem vive com a doença. E o cuidado atento à transformação de espaços nos mostram como a arquitetura pode, e deve ser, um instrumento de cuidado e inclusão.




Gaspar Sousa, I. ., & Márcia Oliveira Maia, I. . (2014). Arquitetura de interiores em ambientes para idosos portadores da doença de Alzheimer. arq.Urb, (11), 192–207. Recuperado de https://revistaarqurb.com.br/arqurb/article/view/368

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