Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Repensando as cidades a partir de outras visões - recomendação de artigo


Um artigo absolutamente necessário para ser lido nestes tempos de necessidades de repensar que tipo de cidade queremos construir e reconstruir.  "Cidades: convite a outras cosmovisões" do site Outras Palavras discute a necessidade urgente de repensar o planejamento urbano e o desenvolvimento das cidades no Brasil à luz das mudanças climáticas e da degradação ambiental. O texto destaca os eventos catastróficos no Rio Grande do Sul como um exemplo recente do impacto do clima extremo nas áreas urbanas. Critica o modelo atual de desenvolvimento urbano, enfatizando o alto consumo de recursos e o impacto destrutivo nos biomas naturais.

Fiz aqui um pequeno resumo, mas recomendo a leitura do artigo completo:

1.Crise Ambiental: As cidades ocupam uma pequena porcentagem da superfície da Terra, mas consomem uma parte significativa da energia e produzem uma grande quantidade de emissões de gases de efeito estufa. Esse modelo levou à destruição de ecossistemas e biodiversidade e ao deslocamento de milhões para periferias de risco.

2. Perspectivas Indígenas: O artigo se baseia nas filosofias de pensadores indígenas como Aílton Krenak e o falecido Antônio Bispo dos Santos (Nêgo Bispo), que criticam a separação entre natureza e cultura nos ambientes urbanos. Eles defendem uma reconexão com o meio ambiente e uma reconsideração do que constitui uma cidade.

3. Visões Alternativas: Krenak e Bispo propõem que o planejamento urbano incorpore as perspectivas indígenas e quilombolas, que veem os seres humanos como parte de um ecossistema maior, e não dominantes sobre ele. Isso inclui integrar elementos naturais nos espaços urbanos e promover a sustentabilidade.

4.Percepção Pública e Política: Apesar do reconhecimento generalizado das mudanças climáticas pelos brasileiros, há uma percepção de que os governos e as corporações não estão fazendo o suficiente para enfrentar a crise. O artigo destaca a importância de desenvolver e implementar estratégias eficazes para mitigar os impactos ambientais.

5. Mudanças Culturais: Adotar um conjunto diversificado de visões de mundo, incluindo as de comunidades indígenas e tradicionais, pode levar a um desenvolvimento urbano mais equitativo e sustentável. Isso envolve desafiar a dominância das ideologias ocidentais e capitalistas e fomentar uma conexão mais profunda com a natureza.

O artigo conclui defendendo uma mudança de apenas buscar o "bem-estar" para almejar o "bem-viver", incorporando abordagens holísticas e inclusivas ao planejamento urbano que respeitem e integrem diversas perspectivas culturais e ecológicas.





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