Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

O Studio Clio fica na memória

 


A simpática casinha na Cidade Baixa que tantas memórias afetivas e culturais passa para outras mãos. Não sei o que vai acontecer com ela. Lembro que antes de abrigar o Studio Clio, foi o Studio Flavio Del Mese. 

Muito antes das viagens e os registros se tornarem corriqueiros, o viajante Flavio nos encantava com os slides de suas viagens em concorridas apresentações. Meus pais eram assíduos frequentadores. 


Mais tarde, em 2005, quando meu pai passou meses em um hospital, soube que o Chico tinha lançado um projeto inovador em Porto Alegre: o Studio Clio. Conhecia o Chico e sua família de férias em Garopaba, depois de projetos para seus pais, avós e ele mesmo. Sempre tive grande carinho por todos eles. Já nesta época, o Chico tinha se tornando o Prof Dr Francisco Marshall, um apaixonado pelo helenismo, pelo humanismo, pela História e pela cultura. Tudo isso ele, e sua equipe, tinham em tão alto grau que não permaneceu só para eles. Criaram um espaço que fomentasse a difusão das mais variadas formas de conhecimento. Foram cursos, shows, almoços e banquetes. Encontros e exposições. Viagens culturais. Lançamentos de discos e livros.    


Mas muito mais que isso, foram momentos únicos e mágicos de encontro com o conhecimento de forma lúdica e cheia de prazer. Muitos dos meus leitores acompanharam pelos meus relatos esses momentos que tanto me acrescentaram. Muita gente curtiu junto comigo cada foto, cada escrita de degustação culinária e brindou junto à beleza da luz do saber.  

Hoje não fico triste. Ao contrário, brindo à Nau Clio que formou uma leva de nautas que continuam em busca de mais beleza, de mais leveza, de mais conhecimento. 

Se por momentos o espaço físico não está mais ali, o espaço conquistado dentro de cada um de nós se perpetua de forma indelével.

Obrigada Chico, obrigada a cada pessoa que passou pelo palco mágico da casa marrom da cidade baixa de Porto Alegre. Cada um de vocês marcou com luz em nossas almas. Obrigada pelos amigos e amigas conhecidos naqueles espaços tão aconchegantes que consolidaram amizades que seguem firmes. 

Obrigada pela memória de tantos e tão belos momentos. 

O Studio Clio Vive



Comentários

  1. Parabéns pelo comentario. Também guardo belas lembranças de Studio Clio. Uma pena que tenha encerrado as suas atividades. Só espero que o novo dono tenha sensibilidade para prosseguir na senda da cultura.

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    1. Seria um sonho se, mas não sei. Talvez. Torço para que encontremos um espaço que nos preencha tanto e com tão belos momentos de conhecimentos e cultura. Abraços

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  2. Cantei ópera de bolso sob a regência de Ronel Alberti da Rosa, assisti mestre Carlos Rodriguez nesse espaço encantador entre outras visitas ao local. Só gratidão. Boas lembranças.

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    1. Que maravilhosas lembranças! A Nau Clio vive em cada um que a navegou! Abraços

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