Blog da Arquiteta Elenara Stein Leitão que, desde 2004, fala sobre arquitetura, urbanismo, interiores e design abordando assuntos ligados à sustentabilidade e uma concepção de espaços que conciliem bom gosto, funcionalidade e aconchego com um toque humano.
Vivemos tempos curiosos. Nunca produzimos tanta informação e, ainda assim, milhões de pessoas seguem excluídas de decisões que afetam diretamente suas vidas. Muitas vezes a barreira não está na falta de acesso à internet ou aos meios de comunicação. Ela se encontra muitas vezes na linguagem, na complexidade desnecessária, na distância criada entre quem comunica e quem precisa compreender. Foi com essa reflexão que participei, como assessora de acessibilidade, do 1º Congresso Gaúcho de Comunicação Pública, realizado em Porto Alegre. Promovido pela Dominus Consultoria e Capacitação em parceria com a Estratégia de Comunicação & Copy Sawitzki Inovação e Experiência Humana, o evento reuniu profissionais, gestores públicos, pesquisadores e especialistas para discutir temas que hoje ocupam lugar central na vida democrática. Ao longo do dia, palestrantes como Sandra Bitencourt, Maria José Finatto, Rodrigo Abella, Soraia Hanna, Daniela Machado, Leandro Rolim e Gustavo Ferenci compartilhar...
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A arte de fotografar prédios e cidades com alma
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Certa feita uma amiga me fez ver algo que me incomodava nas fotos de arquitetura. Disse que pareciam quase sempre retratar mundos desertos. Volumes, formas e cores em sua imponência, mas sem a presença dos seres que as habitam, que por elas transitam, que as vivam. E a real arquitetura, para mim, é feita de todos os sentidos. O arquiteto finlandês Juhani Pallasmaa expressou isso muito bem, quando disse aos seus alunos:
"Não vou lhes ensinar o que é a arquitetura - tentarei ensinar a cada um de vocês quem vocês são. O primeiro requisito para o professor é inflamar a paixão do estudante pela arquitetura e lhe permitir vê-la junto com a vida...mais importante para um arquiteto que o talento de fantasiar espaços, é o dom de imaginar situações humanas".
O dom de imaginar situações humanas.
Me encanta quando vejo alguém que consegue captar a alma dos prédios. Não sendo arquiteta de formação, mas jornalista, Talita Ribeiro, consegue revelar em suas fotos, instantâneos de cidades e prédios que nos fazem ter, sobre eles, novos olhares. Eu, que nunca vibrei com a metrópole Nova Iorque, a conheci como uma cidade acolhedora viajando por seu cotidiano nos stories da Talita.
Uma boa foto é aquela que abre sua imaginação, que traz emoção. Martine Franck
Para ilustrar essa postagem fiz um garimpo nas stories do seu instagram. Duas sensações: primeira que as fotos de arquitetura que mais me tocaram não estão lá, e logo explico o porquê. Segunda, que revivi muitos dos momentos de descoberta de locais, conhecidos e desconhecidos que vi pelos olhos sensíveis da jornalista, especializada em viagens. Que hoje percorre novas rotas, também fascinantes. Para quem ficou curioso, fica a dica: sigam.
Você não fotografa com sua máquina. Você fotografa com toda sua cultura. Sebastião Salgado
Vou explicar o que me fascina nas fotos e olhar da Talita. Ela consegue garimpar a joia que se esconde no comum. As suas fotos de arquitetura não são apenas sobre prédios consagrados ou interessantes arquitetonicamente. Ela capta aquele ângulo que a maioria das pessoas passa sem ver. Ela vê beleza no que parece passageiro. Ela vê magia no que parece apenas construção. Como boa taurina, ela faz da casa e dos espaços um pouso seu, fazendo de paragens, as suas cidades particulares que, muitas vezes, são tão diferentes das de catálogo de turismo. Ela mesmo brinca que as cidades deviam contrata-la para ser embaixadora. Deviam mesmo. Ela foge do padrão comum de oferecer o mesmo de sempre.
A câmera não faz diferença nenhuma. Todas elas gravam o que você está vendo. Mas você precisa ver. Ernst Haas
"Como podem os prédios despertar tantos sentimentos em nós? Como podem ângulos retos ecoarem feito ondas dentro do corpo, na mente, no meio? É sempre um prazer encontrar construções que não apenas acolhem, mas também conversam" Talita Ribeiro
Esta frase é muito significativa do resultado que encontro em suas fotos. Acho particularmente lindo ler isso em alguém que não é arquiteto. Gostaria muito que meus projetos, os espaços que arquiteto, chegassem assim às pessoas, conversando com elas, mobilizando sensações e sentimentos de pertencimento, de estranheza, de acolhimento, de vida e pulsão!
Numa das últimas viagens, que acompanhei no stories, a foto abaixo me tocou sobremaneira. Em um único clique conseguimos notar a grandiosidade da estrutura e a singeleza da escala humana. Um museu que guarda a história (extensa) dos homens (minúsculos) mas que juntos fazem uma imensidão.
Conheci a Talita através de um projeto que o Arquitetando Ideias participava. Tive o prazer de lhe mostrar o centro histórico de Porto Alegre. E redescobri-lo também pelos seus olhos.
Outros tempos. Outras histórias. Todas marcadas nas memórias que valem a pena guardar.
Outro dos projetos bacanas da Talita pode ser visto no vídeo abaixo.
Essa casa super simpática me lembrou de imediato duas referências: Uma, os edificios em Atenas que ficavam perto do meu hotel. Todos tinham imensas floreiras que fazia com que ficassem tão simpáticos! Mas olhando com mais foco, me veio a segunda referência. Na verdade as fachadas da frente e fundos são como segundas peles, floreiras que criam um micro clima super agradável no interior do prédio. Justo como a casa do colega Oscar Muller. Eu juro que tenho fotos no computador, mas não consegui acha-las para colocar aqui. A dele é uma casa de vila e, na parte dos fundos, tem uma cortina de metal onde as plantas, em geral trepadeiras, se mesclam e criam um efeito super interessante. Não achei mais referências sobre esse projeto no site e não sei o autor do projeto e nem como é feita a manutenção das floreiras. Em algumas se tem alcance por dentro da casa, em outras me pareceu um pouco complicado, mas o conceito é super bom. PS: O Elcio no comentário abaixo deixou o link com ...
Arquitetura....sonho dourado de muitos jovens que sonham com um futuro glamouroso e cheio de notas na conta bancária. Mas será realmente assim? Veja algumas razões de porque NÃO fazer arquitetura. 1- Principal motivo: DINHEIRO. Para os que visam a recompensa financeira em primeiro lugar: Arquitetura não é uma mina de ouro. Esqueça os figurões que vê na mídia com escritórios em Miami e Paris. Eles são a minoria da minoria. A grande maioria dos colegas arquitetos está ralando em seus escritórios ou em escritórios alheios. E ainda faz bico no fim de semana. 2- Recompensa intelectual : Tudo bem, não vou ganhar rios de dinheiro, mas vou ser reconhecido como uma pessoa criativa e maravilhosa que vive para ajudar os outros. Sim! Ajudar os amigos, parentes e conhecidos dando palpites de como eles podem arrumar suas casas e espaços. Palpite não é projeto , lembre. Sem contar que fica horas pesquisando para achar soluções interessantes e vem alguém e copia. E leva as glórias. 3- Saúde ...
Vivemos tempos curiosos. Nunca produzimos tanta informação e, ainda assim, milhões de pessoas seguem excluídas de decisões que afetam diretamente suas vidas. Muitas vezes a barreira não está na falta de acesso à internet ou aos meios de comunicação. Ela se encontra muitas vezes na linguagem, na complexidade desnecessária, na distância criada entre quem comunica e quem precisa compreender. Foi com essa reflexão que participei, como assessora de acessibilidade, do 1º Congresso Gaúcho de Comunicação Pública, realizado em Porto Alegre. Promovido pela Dominus Consultoria e Capacitação em parceria com a Estratégia de Comunicação & Copy Sawitzki Inovação e Experiência Humana, o evento reuniu profissionais, gestores públicos, pesquisadores e especialistas para discutir temas que hoje ocupam lugar central na vida democrática. Ao longo do dia, palestrantes como Sandra Bitencourt, Maria José Finatto, Rodrigo Abella, Soraia Hanna, Daniela Machado, Leandro Rolim e Gustavo Ferenci compartilhar...
Fonte Embora as fotografias de Arquitetura raramente tenham seres humanos, as representações gráficas dos projetos as tem. As calungas. Este nome esquisito foi o que aprendi a nominar a representação humana nos desenhos, a tal da escala humana, que mostra de maneira mais clara como os espaços se conformam em proporção aos nossos corpos. Fonte Hoje é muito comum que tenhamos blocos de seres humanos, animais e plantas em todos os programas gráficos. E há sites onde podemos buscar figuras das mais diversas etnias e movimentos para humanizar nossas plantas e perspectivas. Me lembrei das calungas ao falar com um colega arquiteto, bem mais jovem que eu, que me mostrou fotos de projetos da década de 80, com simpáticas figuras, simulando movimentos. E, para minha surpresa, ele nunca tinha ouvido falar do termo calunga. Como eu nunca tinha parado para pensar sobre isso, fui dar uma rápida pesquisada e achei que o termo tem origem africana e talvez tenha vindo e...
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