Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Breve História da Arte Moderna - indicação de livro


Aprofundando os meus conhecimentos sobre arte, já iniciados com mais ênfase ao ler o guia de bolso, Breve História da Arte, tenho a oportunidade de ter um olhar mais aprimorado sobre o que se convencionou chamar de arte moderna, o fulgurante período que vai do final do século XIX aos nossos dias, no livro de Susie Hodge chamado de Breve História da Arte Moderna.

Sim eu sei que o termo moderno é usado pelos leigos para englobar todo o período, mas para sermos mais exatos - e o livro faz essa ressalva - arte moderna como termo seria a que vai do final do século XIX até a década de 70. De lá para cá chamamos de arte contemporânea.

É assombroso como ambas encerram produções ricamente criativas e com uma gama de movimentos extremamente ricas. Sempre acho difícil se ter uma visão mais isenta quando estamos muito perto do foco dos estudos. Talvez (e aqui falo como leiga) daqui uns séculos esse número expressivo possa ser reduzido de forma mais global, mas por enquanto vemos em torno de 40 momentos de estilos diversos em poucos anos de história da arte. 

O capítulo inicial sobre os movimentos nos dá um panorama como cada estilo se cristalizou, seus fatos mais relevantes e principais artistas. Vemos desfilar desde os inciais realismo e impressionismo até os mais recentes Arte Urbana, conceitual, performática e os YBAs (Young British Artists. E com isso permite que se tenha uma ideia mais clara sobre algumas manifestações que nos causam estranheza a principio. 

Nos tempos em que a fotografia trouxe um mundo perene mais real ao cotidiano, o olhar do artista pode alcançar outros meios de expressão para mostrar suas inquietações. Como dizia Andy Warhol: "Dizem que o tempo muda as coisas, mas na verdade é você quem tem que mudá-las". Com isso expressou a alma do artista de instigador de transformações.

Depois da exposição das abordagens que marcaram esses tempos, a autora nos leva para uma visita por 50 obras representativas deles, mostrando como cada artista, a seu tempo, rompeu com paradigmas, revelando não apenas novos olhares, mas novas técnicas, novas ferramentas e novos meios de representação. Alguns absolutamente chocantes, outros efêmeros, todos marcantes em originalidade. Afinal, se a arte não existe para causar desconforto e reflexões, ela não transforma. Opinião minha. Sujeita ao contraditório, obvio.



Do atelier do pintor de Gustave Coubert, que rompeu com algumas técnicas de pintura ao Todo amor eterno que tenho pelas abóboras de Yayoi Kusama, temos em torno de 160 anos. Parece bastante para nossas vidas, mas é muito pouco em termos históricos. Do óleo sobre tela, técnica tradicional, voamos para uma enorme instalação que usa madeira, espelho, plástico, acrílico e LED. 

Passamos por Klimt e seu retrato de Adele Bloch-Bauer, Picasso e a roda de bicicleta de Marcel Duchamp. Vemos a arte pungente de Frida Khalo e as latas de sopa de Warhol. Obras que usam os mais variados temas, objeto de estudo do terceiro capítulo onde vemos como a figura humana, socialização, religião e transformação são tratadas pelos artistas.

No capítulo final vemos como as técnicas, desde as tradicionais até as mais modernas são usadas pelos artistas para expressar suas inquietações e olhares com um mundo em constante transformação. Desde o desenho que acompanhou as mãos e mentes que criavam desde o início dos tempos até a fotografia e o videoarte.
É um livro gostoso de ler. Ele traz um roteiro de como aproveitar bem a leitura, mostrando como cada capítulo tem informações pontuais e importantes para a compreensão dos temas. E ressaltando que a leitura pode ser feita de forma independente. Não sei vocês, mas eu gosto de ler por partes. Vejo uma obra que me agrada ou instiga, leio sobre ela, depois sobre o movimento que o autor pertencia, as técnicas que usava. E por fim o tema para sintetizar. É como aprofundo melhor meus conhecimentos. 

E vocês como fazem?


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