Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Espaços sagrados - transformando capela em escritório

Não deixa de ser peculiar se fazer uma relação entre os espaços sagrados de cada época. E aqui não vou entrar no aspecto religião, mas nos prédios que resultam de cada prioridade das sociedades. Muito já se estudou sobre o papel dos templos na história e da enorme demanda de recursos e tempo que geravam. Não é sem uma ponta de ironia que vejo este projeto do Architects Bureau Klaarchitectuur transformando um antigo prédio histórico tombado em Sint-Truiden (Bélgica), a capela de Waterhond, em seu escritório. E a ponta de ironia é constatar que muitas das maiores realizações arquitetônicas de nossa época contemplam justamente prédios de escritórios que celebram o trabalho como força propulsora de crescimento em nossas sociedades. 
A capela é dos meados do século XVI e foi originalmente um celeiro. Mais tarde foi transformado em capela, escola de música e tribunal. Nas últimas três décadas estava sem ocupação. 
 
Como todo prédio considerado como de valor histórico deve manter suas características preservadas, o projeto de ampliação do escritório se pautou pelos conceitos de "atemporalidade e percepção". Os espaços e materiais foram respeitados e mantidos para que os visitantes possam usufruir de sua história. 

Funcionalmente foram criadas uma caixa de vidro interno que acomoda o local de trabalho e um pavimento superior que abriga o espaço de exposições. As funções de apoio foram alocadas em uma construção nova, anexa à capela original, mas escondida dos olhos. Para efeito de projeto se mantém a forma da capela antiga que se revela em suas novas funções a quem entra no seu interior.

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Fotos : site dos arquitetos

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