Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

Imagem
Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Tem de ser equilibrista até o final - o Circo

O circo. Muitas e muitas vezes usado como metáfora de vida. Dessa nossa vida em que, as vezes, somos palhaços, quase sempre equilibristas e temos que fazer o show continuar. Seja com lágrimas, seja mambembe, seja alegre e vibrante. 

Sim. Metáfora de nossas vidas. Tantas e tantas vezes o circo nos é dado como forma de gotas de placebo em tempos de dificuldades. Outras tantas cabe a nós dançar e oferecer essas pitadas de palco e luz para a Vida que nos pede que a levemos com galhardia.
Tem de ser equilibrista até o final. E suando muito, apertando o cabo da sombrinha aberta, com medo de cair, olhando a distância do arame ainda a percorrer - e sempre exibindo para o público um falso sorriso de serenidade. Tem de fazer isso todos os dias, para os outros, como se na vida você não tivesse feito outra coisa, para você como se fosse a primeira vez, e a mais perigosa. Do contrário, seu número será um fracasso.Fernando Sabino

Fonte
O circo pode nos inspirar nas artes, nas festas (especialmente as infantis) e quase sempre traduz uma imagem de alegria ingênua. Quase pueril.
Fonte
Mas também sabemos que a memória histórica nos fala de circos nem tão inocente. Os circos romanos ofereciam sangrentas festas para acalmar as pessoas que não deviam ter muitas emoções boas em suas vidas. Ou essas deviam ser duras e era preciso mostrar que outras podiam ser piores...

Anfiteatro Flavio - Coliseu de Roma

Alto, pálido vidente,
caminhante do vazio,
cujo solo suficiente
é um frágil, aéreo fio!
Sem transigência nenhuma,
experimentas teu passo,
com levitações de pluma
e rigores de compasso.
No mundo, jogam à sorte,
detrás de formosos muros,
à espera da tua morte
e dos despojos futuros.
E tu, cintilante louco,
vais, entre a nuvem e o solo,
só com teu ritmo - tão pouco!
Estrela no alto do pólo.
Cecília Meireles (1901-1964)
Fonte
Talvez essa a função mor dos palcos. Nos mostrar que a Vida é sempre uma comédia. E que devemos nos equilibrar para manter nossas próprias histórias pessoais.
Procura-se um equilibristaque saiba caminhar na linhaque divide a noite do diaque saiba carregar nas mãosum fino pote cheio de fantasiaque saiba escalar nuvens arrediasque saiba construir ilhas de poesiana vida simples de todo o dia.Roseana Murray


Fonte
Inspiração renovada em formas digitais ou em trabalhos acadêmicos, o circo expressa irreverência. E farsa burlesca.
TFG - Estrutura Itinerante Polivalente - Camila Ennes
 E talvez por expressar esse lado lúdico, sirva de inspiração para ambientes infantis. E ressalte-se que suas formas podem ser expressas por pinturas, por exemplo.
Fonte
Real ou imaginário, o circo está no imaginário popular. E não raro, em nossas realidades diárias.  
Fonte
Artistas de plantão. Há que se manter o equilíbrio necessário para que a vida nos leve com harmonia. E as vezes há que se ser o palhaço - que segue em frente, mesmo com lágrimas no coração.





Nos siga também nas redes sociais

snapchat: arqsteinleitao  

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Cortina verde na fachada

10 motivos para NÃO fazer arquitetura

Processo da Arquitetura

DIREITO À PAISAGEM