Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Estacionamento que privilegia áreas verdes

Projeto de estacionamento que mantém areas verdes
Por mais que optemos pelo transporte público e/ou bikes em nossas cidades, ainda não podemos prescindir do carro. E com ele surge um dos maiores gargalos de nossas metrópoles: o estacionamento. Quem não passou pelo imenso problema de conseguir vagas? Quem não vê imensos edifícios só para estacionar nossos veículos nas zonas centrais? Pois foi uma solução de estacionamento, vencedora de um concurso, que me chamou a atenção como uma solução que consegue manter áreas verdes em uma cidade que se gaba de suas áreas abertas.  

O partido do estúdio enota criou dois níveis de estacionamento, mas de maneira a manter o espaço com a sensação de áreas verdes, tão caras à cidade eslovena de Velenge. O centro da cidade é uma zona de pedestres, a cidade é cheia de espaços verdes e por isso a necessidade de que as zonas de estacionamento de carros, ainda necessárias, sejam racionalmente equilibradas no espaço urbano. 

A área de estacionamento proposta tem espaços públicos como um palco para eventos públicos no telhado, banheiros públicos e uma área de guarda de carros cercada de painéis de mental ondulados que servem para não apenas esconder os carros, mas também para se enquadrar ao meio ambiente, com as usas sombras. Uma solução interessante que ao mesmo tempo em que tem a função necessária de guarda dos veículos, consegue não fazê-los o ponto focal mais importante na proposta. Me lembrou essa solução de praça sobre estacionamento.

 
Fonte: Inhabitat





 


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