Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Educação e a coleta seletiva - legado da copa #vivapositivamente

Copa acontecendo, estádios bonitos, jogos de primeira, muita animação. Mas também muito resíduo sendo gerado. E uma boa hora para pensarmos que imagem que queremos deixar para nossos filhos.

Uma foto correu a internet mostrando o exemplo da torcida japonesa. A Sam, do A Vida que a Vida quer, nos fala sobre esse exemplo de educação no seu post As Lições dos japoneses na Copa. Como descendente de japoneses, ela nos conta como a educação se dá naquela cultura e como isso se reflete no comportamento das pessoas.

“Japoneses fizeram a festa ontem. Mas antes de irem embora do estádio, recolheram o lixo. COMO NÃO AMAR O JAPONÊS?” @jurandirfilho
“Japoneses fizeram a festa ontem. Mas antes de irem embora do estádio, recolheram o lixo. COMO NÃO AMAR O JAPONÊS?” @jurandirfilho

Leia mais em As lições dos japoneses na Copa


Autor @jurandirfilho
E nós? Tanta gente reclamou dos gastos na Copa, que poderiam ser direcionados para outros objetivos. Mas será que se debruçaram para ver os outros legados que a Copa está trazendo? As patrocinadoras não gastaram apenas em propaganda. Recebi o livro que mostra o diagnóstico da coleta seletiva nas cidades sede feita pela Coca Cola.
Vivo em uma cidade que tem coleta seletiva desde os anos 90. Vários bairros da cidade tem caminhões passando na frente de casa varias vezes por semana. Várias cooperativas e organizações de catadores serão beneficiadas com investimentos da Coca Cola em Polos de Reciclagem. Talvez o montante de verba não seja extraordinário para uma empresa desse porte, mas para as pessoas que sobrevivem do lixo e da reciclagem são uma ajuda bastante significativa. E pode gerar mais condições de trabalho para muitas famílias. Além do apoio com equipamentos, será disponibilizada capacitação técnica em uma plataforma que hoje já impacta cerca de 12.000 pessoas. A previsão de melhora fala em um possível aumento de renda de até três vezes mais o que ganham hoje. 
Um espetáculo do porte de uma Copa do Mundo vai um pouco mais além dos gastos que vemos nos jornais. E não que não apoie toda e qualquer investigação sobre abusos. Mas há que se atentar que há ganhos que não se podem mensurar em um primeiro momento. O espaço que o país está tendo na imprensa mundial por exemplo. O número de pessoas que vem ao país e podem ser potenciais propagandistas para novos turistas. O exemplo de povos que aqui vem e nos mostram como se comportar em um estádio em relação aos nossos resíduos. Os empregos que se formam e permanecem.A capacitação que as pessoas recebem e que podem gerar mais empregos e melhores condiçôes de vida para milhares de pessoas.
Podíamos talvez ter gasto esse dinheiro em hospitais e escolas de maior qualidade, como aliás devem ter feito os governos anteriores que não tiveram que gastar na Copa. Mas ela já está aí, gostemos ou não. E há que se conhecer os frutos. Mais que reclamar de políticos ou empresas, há que também questionar o quanto de ação temos em nossos discursos. 

Sim, eu sei que todos trabalham, pagam impostos e colaboram. Estou falando de mais. De atos de cidadania prática. Separar o lixo, por exemplo. Mesmo em Porto Alegre, com décadas de disponibilidade de coleta seletiva, não é a maioria que separa seu lixo. A cidade está suja. Tudo bem, não há lixeiras suficientes, mas quem carrega junto o seu lixo até encontrar uma? Eu faço isso. Já fazia desde pequena. Já viram uma praia depois de uma tarde de domingo? Imunda. Custava levar um plástico azul como os japoneses e levar junto o que se trouxe e que não pertence ao meio ambiente? Como ficam nossos estádios e o entorno deles após os jogos? E as fan fest? Vamos apoiar o exemplo dos japoneses e levar nossos sacos plásticos azuis?  

Se a Copa nos trouxer um pouco mais de consciência crítica e educação, acompanhadas de atos concretos, ela já terá valido a pena.
    
Autor : Elenara Leitão


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