Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Casa que é pensada para a vista privilegiada

Uma casa que é uma pérola, projeto dos arquitetos Alvaro Ramirez e Clarisa Elton e localizada em um ponto privilegiado da costa chilena (Buchupureo , Cobquecura , Biobío , Chile). 
 
Uma área pequena, são apenas 55 metros quadrados que abrigam um programa enxuto: uma sala/cozinha e uma suíte unidas por um terraço. Um objetivo básico, garantir a vista (maravilhosa) para o Oceano Pacífico.  
 
Erguida sobre pilotis em um terreno bastante íngreme, a casa tem uma estrutura e fechamentos em madeira local, devidamente protegida contra a umidade. 
 
Também o telhado que lembra construções da década de 50 é estruturado em madeira e recoberto com telhas de pedra, remetendo à cultura arquitetônica local.  

O que me chamou a atenção? A aparente simplicidade e a harmonia com que se inseriu no terreno. O terraço que une as duas funções: lazer e dormir, se abre como acolhimento e abrigo dos ventos, e permite que a vista se descortine em sua plenitude desde a chegada. É espaço privado, mas ao mesmo tempo é público.

Toda a casa é um convite à meditação e ao desfrute da natureza. Não tem nada mais do que se precisa para usufrui-la.



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