Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Inclusão - um mundo de soluções

Quem caminha pelas ruas de nossas cidades se depara com muitos problemas de acessibilidade. São buracos nas calçadas, falta de sinalização ou inadequação de colocação de pisos especiais. Em eventos nem sempre os banheiros especiais são acessíveis. E não apenas em casos isolados, mas como regra pensar a inclusão e acessibilidade é uma questão de sensibilidade. Como bem diz a Rosana Puga de Moraes Martinez (presidente da Associação de Doenças Neuromusculares,membro do Conselho Gestor do Centro de Referências em Distúrbios do Movimento da Unepe, membro do Fórum Permanente de Acessibilidade e Mobilidade Urbana de Campo Grande-MS) em seu artigo Acessibilidade e sensibilidade :

"A Norma é fracionada: determina como deve ser a rampa, o piso tátil, o sanitário. Mas, para o usuário, itens em separado nada significam. Não adianta ter um banheiro acessível, se não há uma vaga de estacionamento corretamente reservada; pois para que o sanitário seja usado, é preciso que o público-alvo chegue até ele. Acessibilidade, para funcionar, tem que ser um conjunto de facilidades. A falta de um único item, compromete qualquer esforço em separado."


Fonte
Uma pessoa excluída por "n" razões, sejam físicas, mentais e/ou econômicas acaba por excluir outras tantas por tabela já que, sociedade gregária, não somos uma ilha por mais que as pessoas de hoje se esforcem para isso. É preciso mais do que nunca pensar a Arquitetura para todos. Conceber as cidades e seus espaços como locais sem barreiras, locais com acesso ao ar puro, aos caminhos desimpedidos, aos espaços cada dia mais democráticos e realmente acessíveis a todos.
Fonte
A dica desse vídeo veio da colega Arquiteta Tanise Duarte. E ele mostra que a busca de soluções de inclusão para pessoas com necessidades especiais é, mais do que um fator individual de generosidade. É uma premissa de uma sociedade desenvolvida.


Dica da colega Tanise Duarte

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