Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Desafios de projeto: Um menino e duas gêmeas em um quarto!

 A vida é feita de desafios. Um deles é projetar um dormitório de cerca de 14,00 m2 para um menino de três anos com previsão de crescimento na família, em um apartamento antigo de dois dormitórios.

Outra é receber um aviso da cliente: estou grávida de gêmeas e são meninas! Como faz para abrigar dois berços e cama no mesmo espaço, mais armário e mais espaço para o garoto não se sentir privado do quarto com o qual já estava sonhando????
 Algumas coisas tivemos que sacrificar. O mesmo berço do menino não poderia ser usado porque era muito grande. Então mobília nova. Mas mesmo essa não poderia ser muito cara.


 Cabeça a funcionar. A solução foi criar um espaço quase privado para o menino com a cama localizada perto da janela (e essa devidamente protegida e telada). O papel de parede em listras coloridas serve para todos os sexos e na área do Arthur ganhou um painel para a TV. Uma estante que pode ser inclusive comprada pronta separa os espaços e pode servir não só para delimitar espaços, como também para guardar enfeites e livros. A cama tem gavetões para guardar mais brinquedos.

A cadeira para a mamãe amamentar teve que ficar em outro espaço porque as roupas das meninas precisavam de uma cômoda que também serve de local de troca. Um painel em mdf branco tem lugar para quadrinhos e/ou fotos que podem ser trocadas e transformar o ar do quarto com poucos gastos. E quando as meninas crescerem mais um pouco, trocam-se os berços por um beliche. E a cômoda por um armário.
Esse foi um desafio bem legal e a solução acho que ficou bem interessante. Não acham?

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