Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Estimulando as crianças com os espaços

Criança merece de nós, profissionais do espaço, uma atenção muito especial. Criança precisa de estímulos para desabrochar, para deixar sua criatividade natural florescer, se deixar sair. Na verdade todos nós precisamos, mas as crianças estão talvez mais abertas que a maioria dos adultos e não precisam de espaços caretas e pensados pelos e para os adultos.

Um tapete que seja um jardim. Quem de nós não adoraria brincar em um local assim? Só cuide se houver alergia, aí seria interessante um material que permita uma limpeza mais efetiva e que não junte ácaros.
Paredes de estímulos táteis são um fantástico campo de descobertas e não são difíceis de fazer. Assim como os mapas e mesmo um universo de descobertas que pode ser feito com pintura magnética e planetas em feltro ou mdf pintado e com um ímã. Grandes lições sobre como funciona o mundo, a atração dos planetas pode ser feito em uma simples parede.  
Uma parede do quarto ou do local de brinquedos (para quem os tem) pode abrigar um espaço de aprendizado bem interessante com um quadro negro (ou verde), espaço para exposição das obras de arte feitas e caixas para os materiais. Um modelo bem bacana e simples de fazer está na figura abaixo.
E falando em quadro negros, que tal se eles forem feitos de modo criativo? Tanto pode ser uma pintura com adesivos por cima, como podem ser pedaços de mdf pintados e colados em uma parede colorida. As crianças agradecem o carinho!
Construir uma casinha também pode ser um exercício super importante para o conhecimento e apropriação do espaço. Há várias maneiras de construir móveis e é legal que as crianças participem do processo de criação. Pode-se trabalhar com elas a noção de escala, de harmonia, de relação entre objetos.
Uma árvore que abrigue um mobile de origamis permite variados estímulos. Desde a brincadeira lúdica de lidar com formas, cores e volume. Entender a relação entre as duas e três dimensões, praticamente uma tela de 3D sem precisar de óculos!
As possibilidades são infinitas e podem ser feitas em companhia das crianças. Pedir a elas que desenhem e descrevam seu mundo, como gostariam que fossem seus quartos e casas pode revelar possibilidades muito, muito bacanas! 

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