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Influência de meu pai no meu trabalho

Recebi esse desafio da Aline Kelly para contar sobre a influência de meu pai em meu trabalho. Esse chamado me fez pensar...

"Os comerciais de TV não nos deixam esquecer, essa é a semana que antecede o Dia dos Pais. Mais do que parabenizar quem é ou representa uma figura paterna, nós da campanha É da Nossa Conta por um Brasil #semtrabalho infantil e com trabalho adolescente protegido, queremos convidar a todos para refletir e compartilhar com a gente a influência que seu pai, de sangue ou consideração, teve sobre a sua relação com o trabalho.

Ele te levou para conhecer o local onde trabalhava? Te influenciou na escolha de sua profissão? Nos seus valores? Conte para a gente! O bate-papo já está rolando no Facebook da rede Promenino - aqui http://migre.me/fHxIj -, e há várias histórias e ângulos bacanas dessa questão. Confira!"


Pois bem, eu sempre me lembro de meu pai com sua inseparável máquina de escrever. Foi com ela (também) que fez sua vida. Foi colocando no papel suas ideias, seus sonhos que me impulsionou também a construir os meus. Falei disso aqui em Pai, Construtor de sonhos.

O barulho das teclas que as antigas máquinas de escrever faziam, o carbono das cópias, as fitas que marcavam as letras, tudo aquilo me fascinava. Em casa ele sempre tinha um canto onde havia a escrivaninha e os livros. Quando pequena eu passava embaixo daquela mesa imensa com dois gaveteiros de cada lado. Ele passava horas a noite ali, trabalhando. E eu nunca me lembro daquele local ser proibido ou fechado para a gente. Pelo contrário, ele sempre nos fez participar de sua vida profissional, como se não houvesse diferença entre ele no Banco e ali em casa. E acho que não tinha mesmo. Assim como trabalhava a noite, ele nos levava ao Banco nos fins de semana quando ia trabalhar. E como era divertido! Eu pegava papéis e ia carimbando tudo! Hoje eu morro de rir daqueles tempos inocentes em que um gerente de banco podia não só ir trabalhar aos fins de semana, como levar a sua família junto. 

Sobre trabalho, ele nos ensinou sempre que era uma coisa fascinante, um local de criação, de propor ideias, que não havia diferença entre casa e trabalho porque esse também era um prazer. Meu pai sempre trabalhou com alegria. Ele sempre encontrou na vida um motivo para otimismo e ser feliz. Se seu trabalho era emprestar dinheiro, ele não olhava o lado burocrático. Olhava a satisfação de proporcionar condições para que pessoas e empresas pudessem crescer. Quando eu leio sobre inovações e agradar ao cliente hoje, me lembro que aprendi isso com meu pai muitos e muitos anos atrás. Ele sempre gostou de gente. Ele sabia pensar na frente. Sempre foi generoso, sempre pronto para ajudar. Sempre leitor voraz, procurando conhecer, saber mais e mais. E sempre com olho brilhante acreditando em utopias. Mas lutando para que se realizassem.

Várias lições aprendi com meu pai . 
Vários exemplos de vida aprendi com ele

E sim, ele foi uma criança que trabalhou cedo. Órfão de pai aos três, teve seu primeiro emprego de carteira assinada aos 12. Nunca se queixou. Mas nunca quis que trabalhássemos assim tão cedo. Queria para nós o que não teve, uma oportunidade de estudar (fez o antigo ginásio já casado e com filho).  

Para saberem como ele era no trabalho, permito-me colocar aqui um relato de uma prima:   
 
"Quando conheci o seu Arlindo Bohrer (que veio a ser padrasto do Ruan, o "Vô Arlindo" tão especial para meus filhos e um amigo com quem eu gostava muito de conversar ) ele me contou como havia começado a sua fábrica de máquinas para cortar grama. Como era ferreiro, quando começaram a surgir as fabriquetas de calçados em Sapiranga e havia necessidade de instrumentos para cortar o couro ele fazia também navalhas de corte e facas. Nos finais de semana , para ganhar mais um pouco, pegava uma pasta, enchia de facas e vinha a pé, pelos trilhos do trem, até Novo Hamburgo para vendê-las.

O Vô Arlindo era uma pessoa muito inteligente e muito trabalhador.


Naquele tempo não tinhamos máquinas para cortar grama fabricadas no Brasil e ele começou a inventar uma. Deu certo. Mas...não tinha dinheiro para fabricar.


Procurou por financiamento mas não era nem recebido...


Foi quando ouviu falar que no Banco do Brasil de Novo Hamburgo tinha chegado um gerente que acreditava nos pequenos que queriam trabalhar. Veio novamente a pé pelos trilhos do trem, num dia de semana desta vez, para ver se conseguiria falar com este gerente. Chegou alí na Joaquim Pedro Soares esquina com a Heller(era um barranco de terra vermelha a Heller na década de 60) e foi recebido!


Mais ainda, explicou o projeto e a intenção de fabricar em série estas máquinas. Recebeu do gerente a promessa de que gestionaria junto ao BB o financiamento .

Passado algum tempo, para sua surpresa, recebeu uma carta pedindo que viesse ao BB para fazer a documentação e assinar o financiamento! Surgiu então a Màquinas Bohrer.


Esta carta eu li porque foi guardada como relíquia pelo Vô. Este gerente foi o Tio Paulo!
Beijos
Elaine

 
Sempre que leio me emociono porque essas histórias eu ouvi várias. Esse lado humano de ver e levar a vida, esse ser otimista, lutador, guerreiro, sonhador, esse é o pai que a Vida me deu e de quem muito me orgulho. Esse é o legado que ele me deixa. Obrigada Pai, eu te amo muito. 

Comentários

  1. Eu também agradeço este paizão! Sou fanzoca de carteirinha...

    Parabéns pela data, e obrigado por nos dar a Elenara!

    ResponderExcluir
  2. Que lindo Elenara, obrigada por ter compartilhado conosco essa inspiradora história de família. <3
    Logo vemos que não tinha como você ser diferente, tinha que ser assim tão especial e querida. BJS

    ResponderExcluir
  3. Obrigada querida! Eu que adorei a oportunidade de relembrar fatos tão marcantes. Bjos

    ResponderExcluir

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