Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Templo em madeira sem pregos resiste aos séculos

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Muitas das joias de arquitetura mundial foram feitas em épocas em que não existiam tecnologias digitais como as que dispomos hoje. E no entanto foram construídas com sabedoria e conhecimento e resistem aos séculos, às tempestades e até mesmo à ação do homem. O mesmo não podemos dizer de prédios mais modernos, feitos com CAD, mas sem os mesmos cuidados. Arquitetura é técnica, não é desenho. Arquitetura é mais que empilhar tijolos ou manejar programas computacionais. É conhecer materiais, é conhecer o entorno, é conciliar símbolo, funcionalidade e natureza. E o resultado de tudo isso ainda encantar aos que habitam ou visitam.  

 Pois o templo de Shibaozhai na China representa tudo isso. Um dos tesouros da arquitetura chinesa, foi construído tendo uma colina como suporte. Todo em madeira, não leva nenhum prego, tecnologia desconhecida na época, reinado do Imperador Qianlong (1736-1796). Um local de ventos fortes, mas o projeto de suas janelas não vedadas permite que os elementos da natureza interajam por ele e não o destruam. Já a ação do homem é mais perniciosa.

 
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Ele escapou de perseguições à obras de arte em período recente da história chinesa. E recentemente a construção de uma represa o colocou seriamente em perigo. Era tecnicamente impossível deslocá-lo, por isso a solução encontrada foi a construção de uma barragem ao redor, transformando o templo e a colina em uma ilha. O acesso é feito através de uma ponte. 

Vi um documentário na TV sobre ele e fiquei encantada. Procurei mais detalhes sobre os encaixes de madeira, mas não achei. Os vídeos e fotos são na maioria, turísticos.   


Shibaozhai & The Bridge of Luck from Viking Cruises on Vimeo.

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