Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

Imagem
Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Papas, palácios e intrigas

Estou lendo "Senhora do Vaticano", a história de Olimpia Maidalchini.
Olimpia foi uma mulher que não se rendeu às amarras que vedavam às mulheres de seu tempo o domínio sobre si mesmas. Astuta, inteligente e com muita personalidade ela forjou sua história e dizem, forjou também a de seu cunhado, que viria se tornar papa: Inocêncio X. 
Vemos uma sociedade altamente corrupta, onde cargos eram comprados com favores, presentes e casamentos. E tendo como pano de fundo uma Roma barroca dos anos 1600. E um palácio em especial. A casa onde a jovem Olimpia foi morar com o segundo marido, que mandou reformar inúmeras vezes e que tornou um verdadeiro palácio quando teve acesso aos tesouros do Vaticanos: o Palazzo Pamphilj. Não por acaso a sede da embaixada brasileira na Itália. Me lembro dos falatórios quando ele foi comprado em 1964. Custou uma verdadeira fortuna no ano . E além de um prédio fantástico, é tombado pelo governo italiano. 
Palazzo Pamphilj

O livro mescla história em forma de romance. Não é exatamente uma leitura empolgante, mas é bastante completa em informações e consegue nos dar um panorama das intrigas palacianas da época. E de como o poder era exercido também na construção de enormes prédios, com a tradicional rivalidade de arquitetos e pintores. Nos mostra novissimos nepotes (os todo poderosos sobrinhos dos papas) que eram nomeados ultra jovens e detinham um poder incrível. E velhos cardeais, alguns com 70 anos como o papa Inocêncio quando escolhido. Fala de um conclave em uma Capela Sistina sem as mínimas condições de higiene, que tornavam a escolha do novo Papa em um momento altamente perigoso. Mortal para alguns. Malária era um dos problemas que aguardavam os cardeais. Que além dos designios divinos, ainda tinham que agradar reis em briga e poderosos interesses terrenos. E tendo por pano de fundo uma populaçao acostumada a roubar os palácios dos escolhidos a papa como forma de comemoração...

E por trás das maquinações de uma estrutura que afastava as mulheres, sobressaem figuras fortes e que detinham as rédeas do poder, pagando com uma má imagem e fofocas na sociedade. Como acontece até hoje. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Cortina verde na fachada

DIREITO À PAISAGEM

Processo da Arquitetura

10 motivos para NÃO fazer arquitetura