Comunicação pública, acessibilidade e cidadania: quando as escolhas falam mais alto

Imagem
Vivemos tempos curiosos. Nunca produzimos tanta informação e, ainda assim, milhões de pessoas seguem excluídas de decisões que afetam diretamente suas vidas. Muitas vezes a barreira não está na falta de acesso à internet ou aos meios de comunicação. Ela se encontra muitas vezes na linguagem, na complexidade desnecessária, na distância criada entre quem comunica e quem precisa compreender. Foi com essa reflexão que participei, como assessora de acessibilidade, do 1º Congresso Gaúcho de Comunicação Pública, realizado em Porto Alegre. Promovido pela Dominus Consultoria e Capacitação em parceria com a Estratégia de Comunicação & Copy Sawitzki Inovação e Experiência Humana, o evento reuniu profissionais, gestores públicos, pesquisadores e especialistas para discutir temas que hoje ocupam lugar central na vida democrática. Ao longo do dia, palestrantes como Sandra Bitencourt, Maria José Finatto, Rodrigo Abella, Soraia Hanna, Daniela Machado, Leandro Rolim e Gustavo Ferenci compartilhar...

Papas, palácios e intrigas

Estou lendo "Senhora do Vaticano", a história de Olimpia Maidalchini.
Olimpia foi uma mulher que não se rendeu às amarras que vedavam às mulheres de seu tempo o domínio sobre si mesmas. Astuta, inteligente e com muita personalidade ela forjou sua história e dizem, forjou também a de seu cunhado, que viria se tornar papa: Inocêncio X. 
Vemos uma sociedade altamente corrupta, onde cargos eram comprados com favores, presentes e casamentos. E tendo como pano de fundo uma Roma barroca dos anos 1600. E um palácio em especial. A casa onde a jovem Olimpia foi morar com o segundo marido, que mandou reformar inúmeras vezes e que tornou um verdadeiro palácio quando teve acesso aos tesouros do Vaticanos: o Palazzo Pamphilj. Não por acaso a sede da embaixada brasileira na Itália. Me lembro dos falatórios quando ele foi comprado em 1964. Custou uma verdadeira fortuna no ano . E além de um prédio fantástico, é tombado pelo governo italiano. 
Palazzo Pamphilj

O livro mescla história em forma de romance. Não é exatamente uma leitura empolgante, mas é bastante completa em informações e consegue nos dar um panorama das intrigas palacianas da época. E de como o poder era exercido também na construção de enormes prédios, com a tradicional rivalidade de arquitetos e pintores. Nos mostra novissimos nepotes (os todo poderosos sobrinhos dos papas) que eram nomeados ultra jovens e detinham um poder incrível. E velhos cardeais, alguns com 70 anos como o papa Inocêncio quando escolhido. Fala de um conclave em uma Capela Sistina sem as mínimas condições de higiene, que tornavam a escolha do novo Papa em um momento altamente perigoso. Mortal para alguns. Malária era um dos problemas que aguardavam os cardeais. Que além dos designios divinos, ainda tinham que agradar reis em briga e poderosos interesses terrenos. E tendo por pano de fundo uma populaçao acostumada a roubar os palácios dos escolhidos a papa como forma de comemoração...

E por trás das maquinações de uma estrutura que afastava as mulheres, sobressaem figuras fortes e que detinham as rédeas do poder, pagando com uma má imagem e fofocas na sociedade. Como acontece até hoje. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Cortina verde na fachada

10 motivos para NÃO fazer arquitetura

Calungas, a representação da escala nos desenhos

Comunicação pública, acessibilidade e cidadania: quando as escolhas falam mais alto