Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

Imagem
Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Divagando e arquitetando ideias


Pensei vagamente em estudar arquitetura, como todo o mundo. Acabaria como todos que eu conheço que estudaram arquitetura, fazendo outra coisa. Poupei-me daquela outra coisa, mesmo que não tenha me formado em nada e acabado fazendo esta estranha outra coisa, que é dar palpites sobre todas as coisas. Luis Fernando Veríssimo
Dar palpites...Muitas vezes me parece que mais que projetar, estou palpitando sobre soluções, tal a velocidade com que essas são exigidas. Saudades de um tempo em que se podia pensar com a calma necessária que um excelente planejamento exige.
Talvez seja a urgência da vida atual, seja a avalanche de informações, seja o tempo "perdido" em navegar e em redes sociais, seja a cobrança de saber, de pesquisar, de estar up to date.
Talvez seja apenas a falta de férias. Talvez seja a idade que chega. Sei lá. Mas uma coisa é certa: nada existe sem harmonia, nada é feito sem tesão.
Essa harmonia que encontramos na natureza, essa harmonia que encontramos em grandes obras. Essa harmonia muitas vezes que é encontrada na proporção aurea.
Divagar talvez seja uma forma do corpo/mente se auto ajudar. Reabastecer. Se nutrir de vontades, de ideias, de sementes que vão germinar. Arquitetura é processo. E processo que não para. Não acaba quando se entrega um projeto. Arquitetura sempre se aprimora, sempre pode ser melhor, sempre pode evoluir. 
E os arquitetos também.  
Autor: Elenara Leitão

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Cortina verde na fachada

DIREITO À PAISAGEM

Processo da Arquitetura

A cidade também envelhece. E a casa, às vezes, envelhece antes de nós