Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Garopaba e a colonizacão acoriana


Vivo numa cidade, Porto Alegre, que teve origem na colonização açoriana. E não apenas na sua arquitetura, mas também na sua cultura notam-se tracos dessa gente brava que atravessou um oceano e veio aqui construir uma nova vida.

E por coincidência, meu local de veraneio também tem a mesma origem. Garopaba, um linda enseada* localizada a sul de Florianópolis,  é de colonização Açoriana. Fundado em 1846, quando a Assembléia Provincial autorizou a construção da Igreja Matriz do Cemitério e da Casa Paroquial. 

Segundo estudo realizado pelo NEA, Núcleo de estudos açorianos "o partido arquitetônico adotado em terras catarinenses, em conjunto ou isolado, é o da casa térrea e do sobrado com cobertura em duas águas, cumeeira paralela à rua, em telhas cerâmicas do tipo capa-e-canal. Das alvenarias de pedra e /ou tijolos, rebocadas e caiadas de branco, sobressaem as aberturas contornadas de cores fortes e vibrantes, vinho, ocre, marrom, verde-escuro e azul-escuro.
Alguns detalhes construtivos de origem lusa muito utilizados, tornaram-se emblemáticos, no entanto são freqüentemente associados à morada açoriano-brasileira, como o teto de telhas vã, sem forro, a beira - seveira, espécie de cimalha que funciona como beiral no formato de telhas superpostas, além da terminação em peito de pombo dos beirais das edificações mais requintadas. 

Nas fotos acima, todas feitas por mim em 2004 e 2005, vemos vários exemplos dessa arquitetura que faz com que a cidade seja uma das mais valorizadas do litoral catarinense. Seu centro histórico ainda se mantém preservado, assim como vários de seus costumes. E que continue assim é o que se espera.
Através da internet eu tive o prazer de conhecer dois grandes amigos, Marilene Simão de Brasília, e Casimiro Valério que mora nos Açores. Por aquelas coincidências da vida, dois locais que trago com carinho. Brasília onde morei e cresci. Açores que nunca conheci, mas que aprendi a gostar e admirar pela história de minhas cidades do coração. Os dois mantém um blog Olhares Opostos onde mostram suas cidades, seus costumes, seus povos. Vale a pena a visita.

E em especial essa postagem é uma homenagem ao aniversário de meu amigo Casimiro, no dia 15 de marco. Através de seu olhar sensível pude conhecer mais sobre sua terra e sua gente.    


 *Garopaba emTupi Guarani significa "enseada de barcos"

Fontes : 
http://www.tasca.arq.br/hist_garopaba.html
http://www.nea.ufsc.br/artigos_fatima.php

 


Comentários

  1. Adorei ver o cantinho Açoreano no nosso país, e melhor ainda ver sob os seus olhos, fotos, explicações de uma forma gostosa e explicativa. E essa forma de vc homenagear também é muito linda, alegra os olhos e aquece o coração. São pessoas como vc que enriquece todos os caminhos por onde passa, mostrando cultura, beleza e um calor humano de amiga verdadeira. Com certeza o Casimiro ficou todo emocionado de sentir um pedacinho da gente dele por cá.
    Obrigada pela partilha.
    Aproveito também para parabenizar o seu Blogue que é de muito bom gosto, sempre colocando a par criatividade e funcionalidade. Grande beijo querida amiga Elenara.
    Marilene Simão

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