Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Jean Nouvel: Museo Reina Sofia, Madrid


O Museu Reina Sofia, no qual está o famoso Guernica de Picasso, inaugurou suas novas salas desenhadas pelo arquiteto francês Jean Nouvel, o mesmo que assinou o polêmico projeto de uma filial do Museu Guggenheim no Rio de Janeiro. O Reina Sofia reúne a coleção de arte contemporânea mais importante da Espanha.

À construção original do arquiteto italiano Francesco Sabatini, do século 18, somam-se, a partir de hoje, três novos edifícios anexos que dispõem de salas de exposições, auditório e biblioteca, e que criam, entre eles, uma praça. Ao apresentar seu projeto, Nouvel insistiu em dizer que, frente à proteção lógica que o imóvel construído por Sabatini dá à coleção permanente, sua ampliação cria espaços abertos.

"O museu de hoje em dia é um lugar no qual se tenta fazer com que as pessoas compartilhem sensações e emoções. Os novos edifícios, com uma estética do início do século 21, testemunho da época atual, assumem uma arquitetura relacionada a uma capital de beleza".

Nouvel reconheceu que sua obra não satisfaz todos e que alguns criticaram o que classificam como uma "ruptura", no entanto, ele pensa o contrário. O grande projeto do Reina Sofia, após quase quatro anos de obras, teve um investimento de cerca de 90 milhões de euros e permitirá reordenar a coleção assim como quer sua atual diretora, Ana Martínez de Aguilar.


Fonte:http://www.estadao.com.br/rss/divirtase/2005/set/26/57.htm

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