Arquitetura, longevidade e o afeto como tecnologia

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Minha jornada é feita de arquitetura, escritas, buscas de pesquisadora e o ato de comunicar. Tudo junto. Amalgamado. São essas as moradas onde habito e onde meus sentimentos criam raízes.   Entre plantas baixas, livros, encontros intergeracionais e projetos coletivos, fui encontrando um eixo comum: o afeto como tecnologia humana. Esta percepção sustenta meu trabalho e define minha atuação entre a técnica e a escuta, entre os espaços e a cidade que temos e os que precisamos construir. Fundamentos Técnicos e o Olhar para o Futuro Sou arquiteta formada pela UFRGS (1982), com especialização em Engenharia de Produção focada na construção civil pela mesma instituição (1998). Esta base técnica me permite atuar com precisão na criação de ambientes seguros, onde o desenho arquitetônico serve como suporte para a autonomia ao longo da vida.  Minha prática profissional hoje é dedicada à pesquisa em gerontoarquitetura e ao conceito de aging in place, a capacidade de viver em sua própr...

Wabi Sabi - a beleza na imperfeição

 
 Cinzas...cicatrizes, fim de festa, folia que acaba e deixa marcas. Quem nunca? Vontade de mudar a letra para "Tô me guardando prá quando o carnaval passar"...Vivemos em uma sociedade que cada vez mais louva o novo, sejam ideias, sejam pessoas. Mesmo as de mais idade, ao invés de serem louvadas pela sabedoria e amadas com suas rugas e sinais do tempo, são instigadas a ir em busca de uma aparência que não mais lhes representa. 

Vemos senhores e senhoras tentando parecer décadas mais novos, cheios de botox e roupas juvenis. Nada contra a vida saudável e o se sentir jovem. Estou falando de conteúdo e não de aparência.


E como nossos espaços nos refletem, ou vice versa, vejo com bastante otimismo essa busca por espaços com mais busca de verdades e, por isso, gosto do conceito japonês do Wabi Sabi.  
Wabi-sabi representa uma abrangente visão de mundo japonesa, uma visão estética centrada na aceitação da transitoriedade e imperfeição. Suas características estéticas incluem assimetria, aspereza (rugosidade ou irregularidade), a simplicidade, a economia, a austeridade, a modéstia, a intimidade e a valorização da integridade ingenua de objetos e processos naturais. Wikipédia

Além dos ambientes e prédios praticamente iguais que vivenciamos nesses últimos anos, temos a ideia de que tudo o que está velho ou mostra os sinais do tempo deve ser deletado. (Já ouvi esse termo para pessoas que morreram...fulano foi deletado...). Mas e a memória?
No pouco contato que tive com o patrimônio histórico em minha carreira profissional, me lembro do conceito de deixar marcada a intervenção. Não fazer pastiche com um prédio que tem história, ao contrário, deixar marcada as suas cicatrizes e o que lhe aconteceu. 
E realçar essa passagem do tempo, marcando como uma joia, com um olhar de admiração e respeito pela transitoriedade da vida me parece muito sábio. 


 Me lembra o nosso conceito de sustentabilidade afetiva que traz a tona antigos objetos. Mas com o componente de uma visão diferenciada de entender que a imperfeição pode ser bela. E isso faz toda a diferença.

A essência do wabi sabi é que a beleza real, venha ela de um objeto, da arquitetura ou de uma arte visual, não se revela até que o caminhar do tempo tenha acontecido. Um metal enferrujado, por exemplo, tem uma essência que falta em um material novo e polido. A beleza está nos arranhões, nas áreas desgastadas e nas linhas imperfeitas. Fonte

 

Fonte das imagens AQUI


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