Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Escadas Santos Dumont - solução para pouco espaço

Muitas pessoas se deparam com o problema de precisar acessar um local em outro patamar e não ter muito espaço. Existe uma solução clássica de escada - a chamada escada Santos Dumont ou escada raquete.

Eu sempre conheci pelo primeiro nome exatamente por causa do inventor brasileiro que a tinha em sua casa em Petrópolis. O termo raquete vim a conhecer em pesquisas mais recentes.

Ela é aquela escada construída de tal maneira que cada degrau tem um recorte, ora à direita e ora à esquerda. Reza a lenda que a de Santos Dumont era feita de tal maneira que sempre se usasse o pé direito para subir. Apesar do espaço pequeno ela consegue vencer a altura, sendo uma alternativa bastante interessante.

Ela costuma ser estreita, exatamente pela falta de espaço. E não é a alternativa mais adequada para uma maior acessibilidade. Vários de seus modelos não usam corrimãos, o que na minha opinião prejudica a usabilidade, embora incrementem a sua beleza. Idosos e crianças devem usar com algum cuidado. 

Podem ser feitas de variados tipos de material e algumas são bastante íngremes. Mas acabam economizando espaço e sendo peças coringa em locais onde seria praticamente impossível outra solução.
 Podem ser leves, quase escultóricas.... 

Como podem ser peças mais robustas e servir como móveis para armazenar objetos, mesmo os decorativos.
 
Li também um comentário que seriam interessantes cognitivamente porque ensinam crianças a coordenação. Mas não conheço nenhuma pesquisa que fale sobre isso.
Enfim é uma solução com vantagens e desvantagens. Cabe analisar onde vai ser usada, dimensionar os degraus e alturas para que, mesmo sendo enxuta, possa ser o mais confortável possível para os usuários.
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