Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Espaços brancos acalmam


Sabem aquele dia em que a mente se recusa a trabalhar? Neurônios em greve? A gente espreme, espreme e nada. Deu branco!

Faz sentido. O ano foi intenso, a semana foi vibrante, muitas informações, muitas emoções, muito de muito. A cabeça precisa de um tempo para assimilar e gerar sentido próprio.

E então me lembrei do branco. O branco inspira. O branco é belo. O branco acalma.
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A cor branca (branco ou alvo 1 ) é a junção de todas as cores do espectro de cores. É definida como "a cor da luz", em cores-luz, ou como "a ausência de cor", em cores-pigmento. É a cor que reflete todos os raios luminosos, não absorvendo nenhum e por isso aparecendo como clareza máxima. Wikipédia
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Interessante como ambientes em que o branco predomina parecem falar por si sós. Eles não precisam de muita explicação. São luminosos. Qualquer elemento que se coloque nele se reveste de uma significância elegante.
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Eles quase nunca são datados. Quase sempre me parecem atemporais. Clássicos. Limpos. Branco é quase sinônimo de minimalismo. O quase vem da (quase) certeza que não existem verdades absolutas na vida. Tudo é relativo como bem disse aquele físico alemão que adorava botar a língua para os enxeridos de  plantão. Bem que ele fazia. O mundo não é para ser levado tão a sério. Nem o quântico.  
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Voltando ao tema do momento. Branco. Vejam que coisa mais incrível o efeito que essa escada de madeira faz nesse ambiente todo branco. Se houvesse cores e maiores informações, ela seria mais um elemento. Aqui não. Ela é O ELEMENTO principal.
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E aí entendi porque o branco me acalma. Ele me faz fundo para que eu foque. Ele me permite pinçar aqui e ali o que de relevante a vida me faz realçar nesse momento. Preciso desses momentos de inspiração no nada para poder trabalhar. Seja projetando, seja escrevendo uma postagem. Nada sai de mim que eu não acredite. Não consigo falar, defender ou escrever sobre algo que não me motive. Que não em empolgue, que não me apaixone. 
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O branco é como uma tela. Pronta. Perfeita. Esperando que a energia se volte ao essencial e saia em forma de criação. Por isso espaços brancos me acalmam. Por isso folhas em branco me fascinam. Por isso adoro os começos!

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