Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Quando eu ando assim meio down

Vou pra Porto e bah! Tri legal! 

Quantas vezes ouvimos essa música e sentimos assim, quando estamos meio pra baixo, precisando recuperar forças, dá uma vontade de voltar pra casa. Seja lá onde for. Nossa aldeia é nosso mundo. Por mais cosmopolitas que sejamos, por mais andarilhos ou sem raízes, sempre tem um lugar, uma pessoa, uma idéia, uma tribo que é nossa casa. Muitas vezes ela está bem dentro de nós.


Eu tenho essa relação com Porto Alegre. Aqui me sinto em casa. Aqui me sinto. Quando gosto de algum lugar algures, as vezes faço essa relação, nos que me sinto situada sempre me lembram alguma coisa de Porto Alegre. Uma rua, uma casa, um trecho. Mais ou menos como os rostos que lembram pessoas queridas quando elas não estão com a gente.
Gosto de passar nas ruas e escutar trechos de conversas. Um rapaz que anda apressado, celular nas mãos, tentando mostrar para a amada o quanto gosta dela. Um grupo de moradores de rua discutindo a situação política francesa. 

Gosto de observar detalhes da cidade. Um catador de papel com gorro de Papai Noel revirando o lixo nos containeres. Um rapaz engravatado andando numa bike de aluguel no parque mais famoso da cidade. Um motorista de táxi que está fazendo pós e bolando um App para sua profissão. As crianças na Feira do Livro olhando livros em balaios. Os preparativos para que a Orquestra Sinfônica da cidade se apresente em frente ao Palácio do Governo, ao lado da Catedral Metropolitana e não por acaso, local onde morei muitos anos. Não no Palácio, no edifício do outro lado da Catedral.

Minha aldeia é feita de pessoas e seus momentos. E a tua?

Fotos : Elenara Stein Leitao 

Comentários

  1. Sim, é a pura verdade. Referência e Reverência.
    Eu sou assim com São Paulo.
    E sei que quero conhecer cada vez mais (periferia, história antiga, comércio, indústria...)

    Excelente Semana!

    bjks

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