Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Estilos: tendência definida extra muros?


 Vários clientes já me perguntaram no inicio de uma conversa qual seria o meu estilo. Como eu não tenho um estilo definido, pelo menos não do modo como eles definiam, a conversa parte para um outro raciocínio. Ou seja, mostrar que o projeto seria definido de acordo com as necessidades deles, os clientes.

Mas ainda me passa que essa opção por um ou outro estilo de moda não seja uma escolha assim tão aleatória de nossas revistas de decoração. Nada é aleatório nesse nosso mundo. As tendências do que vestiremos, das cores que usaremos e do que iremos necessitar são ditadas em gabinetes muito antes que possamos imaginar..

E eu tenho a sensação de que isso vem piorando com o passar dos anos. Gerações mais novas parecem ter o mesmo estilo. Não importa a que tribo pertençam, eles tentam ser diferentes usando os mesmos signos hábitos. Isso se reflete nas suas habitações. Mudam algum detalhe aqui ou ali, mas na essência são quase iguais.

Isso já seria um reflexo do pensamento único que domina nosso mundo?


Para pensar. (resgatando outro texto que escrevi em 2006 e ainda acho bastante atual)

Coloquei alguns espaços que fogem ao padrão de propósito. As fotos estavam em meu arquivo pessoal, não me lembro de onde as tirei.

 Autor : Elenara Leitão

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