Comunicação pública, acessibilidade e cidadania: quando as escolhas falam mais alto

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Vivemos tempos curiosos. Nunca produzimos tanta informação e, ainda assim, milhões de pessoas seguem excluídas de decisões que afetam diretamente suas vidas. Muitas vezes a barreira não está na falta de acesso à internet ou aos meios de comunicação. Ela se encontra muitas vezes na linguagem, na complexidade desnecessária, na distância criada entre quem comunica e quem precisa compreender. Foi com essa reflexão que participei, como assessora de acessibilidade, do 1º Congresso Gaúcho de Comunicação Pública, realizado em Porto Alegre. Promovido pela Dominus Consultoria e Capacitação em parceria com a Estratégia de Comunicação & Copy Sawitzki Inovação e Experiência Humana, o evento reuniu profissionais, gestores públicos, pesquisadores e especialistas para discutir temas que hoje ocupam lugar central na vida democrática. Ao longo do dia, palestrantes como Sandra Bitencourt, Maria José Finatto, Rodrigo Abella, Soraia Hanna, Daniela Machado, Leandro Rolim e Gustavo Ferenci compartilhar...

Mestre é o que planta vontades

Professor mestre -
Estou assistindo online o Curitiba  Social  Media. Um dos painéis era sobre a Educação do século XXI e a necessidade de salas de aula presenciais. Um tema sempre interessante e lá pelas tantas me dei conta que, sob palavras diferentes, estava ouvindo o mesmo discurso que ouvia no meu tempo de estudante. Mudam as tecnologias, mudam os meios de acesso às informações, mas ainda estamos no dilema de definir o que é um mestre.

Mestre é o que facilita. É o que problematiza. É o que acende a vontade de aprender e achar as suas próprias respostas. Isso é verdade (e revolucionário) ontem, hoje e amanhã. No meu tempo de banco escolar, a gente tinha que recorrer a livros, aos eternos xeroxs, às viagens. Não haviam computadores, nem CADs, nem Google. Mas também não haviam redes sociais que nos mantivessem unidos, mas distantes. As reuniões e encontros eram nas mesas do bar, as discussões eram sobre a prancheta. 
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O novo aluno conta com um dado a mais hoje. Ele em geral tem mais conhecimento da tecnologia que seu professor. Na arquitetura já houve tempo em que os estudantes ensinavam CAD aos seus mestres...Hoje os clientes buscam suas respostas. Qualquer profissional sabe o quanto isso é complicado e útil no dia a dia. Útil porque nos ajuda com pesquisas, nem sempre conseguimos estar "up to date" com tudo o que acontece no mundo. Complicado porque as fontes de informação nem sempre são técnicas. É fácil ver um "como fazer" no google e achar que se sabe realmente fazer, as vezes reproduzindo métodos antigos ou não tão práticos. Imagine em sala de aula. Como devem ser então esses espaços e didáticas para chamar a atenção e prender um aluno que tem um smartphone ao seu lado, lhe chamando para uma vida virtual intensa e ágil?

Mais do que nunca, mestre é o que planta vontades. Mestre é o que instiga. Mestre é o que ensina como pesquisar. Na Arquitetura um bom mestre é o que ensina o processo de planejar. Não importa o tamanho do problema, não importa o programa, importa é saber como ir buscar. No Mestrado fazia parte do ensino buscar as referências bibliográficas. Nada era dado de mão beijada. Nada é dado de graça na vida. Saber o que e como buscar é que é o grande ensino. Seja em pedra lascada, seja em meios digitais.      

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