Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Olhando pela janela...

 As vezes pinço algumas imagens que vejo de minha janela. Já falei sobre isso AQUI. É como um exercicio projetual, focar dentro do geral. Particularizar o que se mescla ao entorno e passa meio desapercebido. Pode ser um puxadinho que se soma às outras intervenções em casas antigas de uma rua da cidade. Causa uma estranheza, é como se cada andar fosse sendo empilhado e nada tivesse a ver um com o outro. É aí que se percebe a falta de uma visão profissional. Funciona ? Até pode. Mas estraga a cidade...  
Já uma intervenção que resgate a beleza de antigas residências que mudam de uso, realça a herança de um bairro que já foi tipicamente moradia de classes médias e abastadas e hoje se torna local de comércio. Mas resguarda a memória. 
Só para constar. Os dois prédios estão no mesmo quarteirão.
O verde sempre traz um ar de vida na cidade. Seja nas coberturas, seja na teimosia que teima em renascer no meio dos prédios.
A minha janela é privilegiada! Eu enxergo a chegada tanto de navios como aviões! E aí também se revela a beleza de uma cidade com rio. Ou lago/lagoa não importa. 
Enxergar além do cotidiano. Pinçar pedacinhos de poesia nas ruas da cidade. Isso também é um pouquinho de sabedoria.

Fotos Elenara Stein Leitão

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