Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

Imagem
Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Arquitetura dos imigrantes


Sempre fico imaginando como deve ter sido a vida do imigrante europeu, que saiu de sua terra no século retrasado e veio parar aqui nas terras brasileiras, mais especificamente aqui no Rio Grande do Sul. Falo do Europeu porque foram meus avós e sempre é mais fácil falar do que se conhece, nem que seja por ouvir falar.

Hoje, com a nossa facilidade de ir e vir, e principalmente estar em contato, nem conseguimos conceber como era a vida deles. Aqui chegaram, com a sua cultura e tiveram que se adaptar ao meio. Um resgate que fizeram foi usar a técnica conhecida como enxaimel para fazer suas casas. Quem viaja para cidades de turismo como Gramado(RS) ou Campos do Jordão(SP) já viu algumas construções com esse estilo. A grande maioria fake, ou seja, não é estrutura como eram as antigas casas dos imigrantes. Esses utilizaram aqui essa maneira de construir porque era mais fácil e barata para eles. Em geral usavam toras de madeira como arcabouço e o fechamento em barro, tijolo ou até mesmo pedra.

O enxaimel não era uma técnica construtiva alemã, sua origem nem é bem conhecida, mas foi muito usada em várias regiões europeias de acordo com a necessidade. E aqui no Rio Grande do Sul marcou algumas aldeias que abrigaram imigrantes germânicos. 

As construções dos imigrantes em geral são uma arquitetura sem arquitetos, em que os próprios moradores erguiam suas casas, suas escolas que ficavam por perto e faziam seus móveis em madeira. Mesmo depois de urbanizados, muitos imigrantes e seus descendentes importavam plantas arquitetônicas de seus países. Me lembro de uma casa que reformei que tinha usado uma dessas plantas no inicio do século XX e reproduziu tão literalmente que nem foi adaptada para a nossa orientação solar !

Eu fiquei pensando muito sobre isso ao visitar o Parque do Aldeia do Imigrante 
na cidade de Nova Petrópolis na Serra Gaúcha; vendo sua aldeia que
trouxe antigas casas, igreja e lápides e as reconstruiu para mostrar 
como era a vida dessas pessoas. Passeamos por caminhos floridos 
como os que guardo na memória das cidades de origem alemã onde cresci. 
E a própria placa da escola nos dá uma dimensão do que deviam ser aqueles tempos: Linha Temerária...

Fotos : Elenara Stein Leitão - Local Parque da Aldeia do Imigrante em 
Nova Petrópolis - Serra Gaúcha 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Cortina verde na fachada

DIREITO À PAISAGEM

Processo da Arquitetura

10 motivos para NÃO fazer arquitetura