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Onde estiver, faça o melhor

Fui ao shopping fazer meus óculos novos. Eu, que achava estar aumentando o grau, descubro que não só está diminuindo, como zerei a miopia (que já foi de 4 graus!) em um olho. Não me perguntem o porquê. Não sou médica. Pois bem, passando por lá, passei na promoção de livros à R$ 10,00. Obvio que fui conferir e...

Comprei um livro de Auto Ajuda. Aliás, quem nunca?

Eu já li vários e alguns foram bem úteis. Não tenho pré conceitos em relação às leituras (só Paulo Coelho não consegui ler). Enfim...o livrinho é pequeno e se chama O Anjo Interior. E pincei algumas ideias que são bem interessantes. Ele é sobre achar a sua vocação/paixão de vida. E lógico que o aluno em questão é um bem nascido que trabalha nas empresas riquíssimas do pai e pode se dar ao luxo de escolher sua paixão na vida e se tornar artista. Nem todos temos essa possibilidade de escolha.

Mas mesmo tendo poucas chances, às vezes podemos virar a roda do destino e nos apaixonar pelo que a Vida nos oportunizou. Então antes de falar do livro, vou dar um exemplo bem próximo: meu pai. Órfão aos 3 anos, não podia se dar ao luxo de não trabalhar cedo, no que aparecesse. Entregou telegramas aos 12. Trabalhou na prefeitura e ainda levava café para vender. Foi contínuo do BB aos 18. Ele, filho de jornalista que se deu ao luxo de morrer pelos seus ideias, varria o chão do banco e se sentia humilhado porque queria mais. O seu mestre (gerente) que tinha estima pela família, o chamou, louvou a sua ambição, apontou o caminho de fazer concurso para carreira no banco. Mas até lá lhe mostrou a importância de que as agências estivessem limpas e lhe disse: onde estiver, faça o melhor.  Meu pai fez uma carreira brilhante. Foi presidente de Banco. Mas até o fim da vida varria como ninguém. E amou profundamente o que fazia. Ele, um pisciano sonhador, humanista e voraz leitor encontrou na sua profissão um ideal: permitir que as pessoas realizassem seus sonhos através dos empréstimos bancários (vejam AQUI um relato de uma dessas pessoas).

Voltando ao livro e às partes que me marcaram. 

Em primeiro lugar aprenda a reconhecer os mestres que surgirem em sua vida. Como? Quando baterem no coração. Siga a intuição. Nem sempre eles vão chegar se anunciando com auto falantes. Pode ser uma frase dita ao acaso, pode ser um livro. Pode ser alguém que cause desconforto. Fique atento.

Ninguém fez a capela Sistina em um dia. Ou um ano...A excelência (uma das lições do livro estão lá atrás, no conselho que meu pai levou ao pé da letra) está em dar o melhor de si e saber que o tempo irá maturar os talentos. Não se apresse. Sabe aquele ditado? A pressa é inimiga da perfeição? Ele tem muita lógica e verdade. Mais vale uma solução que irá realmente resolver da melhor maneira que uma pretensa solução à jato que irá pretensamente resolver algo no momento. Arquitetos trabalham com bens duráveis (por mais efêmeros que alguns sejam). Trabalhe, confie na sua intuição e burile suas ideias.

E isso nos leva a um outro conselho do livro: Leia e conviva com pessoas desafiantes. E aqui uma passagem interessante:
Procure ideias que resistiram ao tempo. Busque uma mensagem atemporal, não uma que esteja na moda. 
Por isso a importância de ler autores que já se foram. Clássicos que nos permitem entender a formação do pensamento humano. História também nos ensina a ter essa visão mais ampla e é super importante no afazer arquitetônico. Eu fazia um tempo atrás um exercício singelo. Guardava revistas de arquitetura e decoração e as folheava uns cinco anos depois. Era nítido o que era atemporal do que era modinha.

E por fim, a máxima dos livros de auto ajuda mas que é sempre super válida e verdadeira:
As pessoas bem sucedidas são aquelas que transformam adversidades em conquistas.
Quem vive em tempos não tão fartos em oportunidades necessita desenvolver isso em si. Se eu fosse desistir em cada crise econômica que já passei nesse país há muito já estaria em outra profissão. E mesmo em tempos de vacas gordas, sempre há momentos, ás vezes pessoais, que te baqueiam. Respire fundo, ache sua força interna. Reinvente-se e mude, se for o caso. Mas não pare.

Não era minha intenção escrever um artigo de auto ajuda. Longe disso. Apenas repartir uma experiência que me serviu para algo. E achar lições no cotidiano sempre me auxiliou muito. Espero que à vocês também.

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