Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Cabana pré fabricada - um lugar para sonhar

Faz tempo que não posto uma casinha por aqui. E mais especialmente uma cabana de fim de semana. Sigo uma revista no Flipboard que sempre traz várias delas, algumas muito charmosas. O que gostei nessa daqui? Sua simplicidade. E o mais bacana que é uma casa pré-fabricada! Projeto do escritório Lykke Nielsen Arquitetos. 

Ela é feita de dois módulos - uma área de convívio maior e um espaço menor para dormir. Bem lógico em um espaço de lazer que implicaria em estar mais junto das pessoas. Nas casas de lazer que projeto gosto de seguir esta lógica, usando espaços integrados e amplos. E principlamnete espaços de varanda grandes. Aqui, como se trata de uma casa de país nórdico, eles privilegiam o estar ao sol. Ao contrário da gente que, vivendo em um país tropical tem que se preocupar mais com espaços de sombra. 

Uma das características que mais gostei foi a simplicidade dos espaços, a limpeza de adornos como se o estar longe do mundo do trabalho e afazeres também necessitasse de uma folha em branco para que a mente pudesse descansar de tanta informação diária
E nesse 23 de setembro, aniversário da morte de Neruda, trago um poema dele - Homem Invisível - para falar da necessidade de se estar consigo mesmo.
"eu não tenho importância

nem tempo

para os meus assuntos,

de noite e de dia

tenho que apontar tudo o que se passa,

e não esquecer ninguém....



É certo que de repente

me canso,

fico a olhar as estrelas,

estendo-me na relva, passa

um insecto cor de violino,

pouso o braço

sobre um pequeno seio

ou enlaço a cintura

da minha amada,

e vejo o veludo

cruel

da noite que estremece

com as suas constelações geladas,

então

sinto subir à minha alma

a onda dos mistérios,

a infância,

o pranto nos recantos,

a adolescência triste

e o sono invade-me,

durmo

…
Fonte
Veja AQUI mais projetos de cabanas.

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