A cidade que não te vê: quando o espaço urbano envelhece mais rápido do que aprende

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  Há uma cena que se repete em muitas de nossas cidades com uma regularidade que incomoda. Uma pessoa idosa para na esquina, olha para os dois lados, e espera. E muitas vezes o sinal já abriu. Ela espera porque sabe, por experiência acumulada no corpo, que o tempo de travessia não foi feito para o seu passo. Ela aprendeu a calcular antes de sair de casa. Calcular nas calçadas. E calcular mais uma vez, nas esquinas, enquanto os carros aguardam com uma impaciência que não se disfarça. As engrenagens e buzinas que o digam.  Essa cena dura talvez trinta segundos. Ela não costuma aparecer em nenhum relatório de mobilidade urbana. E é justamente por isso que precisamos falar.  A hostilidade que afasta Existe um tipo de arquitetura hostil que já se fala bastante: o banco com divisória no meio para impedir que alguém deite, o piso pontiagudo embaixo do viaduto, a cerca elétrica que delimita o que é de quem. São dispositivos que dizem, sem ambiguidade, você não pode ficar aqui...

Um arranha-céu em madeira?



Como assim um arranha-céu em madeira? Pois é o que o arquiteto Michael Green está propondo - mais do que isso, construindo no Canadá. Veja AQUI.
Ele clama por uma mudança de paradigmas na construção, usando como símbolo a torre Eiffel.

"Quando a Torre Eiffel foi construída, ninguém pensou que poderia ser feito. Agora é um símbolo de Paris"
Seu projeto nada tem de utópico e usa a madeira em formas de painéis que tem grande resistência (inclusive ao fogo), durabilidade e são recicláveis. Além disso a madeira absorve o gás carbônico, coisa que o concreto e aço não fazem.  


Tecnicamente e economicamente viável, a estrutura ainda mostra economizar um percentual bem alto (75%) em sua pegada de carbono. Além de pregar um corte controlado da madeira utilizada. Resta-nos ver se estamos vendo uma exceção ou realmente o precursor de uma nova era na construção de edifícios.

http://mg-architecture.ca/blog/
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Veja o pdf do Tall Wood AQUI

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