A casa também envelhece com quem mora nela

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Conheci o arquiteto e urbanista Ciro Férrer em uma live sobre GeroArquitetura, onde ele falou como nasceu a sua vivência neste campo: foi cuidador da sua avó por cinco anos. Aquela experiência transformou a sua visão de ver a arquitetura não apenas como técnica, mas principalmente como uma missão humana. Eu senti uma empatia com a sua história porque é bem semelhante com a minha. Cuidei e acompanhei meus pais em época de maior fragilidade por cerca de vinte anos. E também como ele, percebi que a arquitetura deve ser uma ferramenta de resgate. De que o projetar não deve ser apenas para o momento presente, mas para ser uma prevenção e garantia de que você, nosso cliente, continue sendo o protagonista da sua própria vida, com a dignidade que merece e sem depender excessivamente de filhos, familiares ou amigos. Fui me aprofundar mais sobre a prática e a teoria de Ciro Férrer e isso me fez pensar em algo que observo há muitos anos na prática profissional. Costumamos imaginar o envelhecimen...

Dewey Readmore Books - Cats of Iowa

Eu descobri esse delicioso livrinho através da dica da minha amiga Ada.
E com a biografia desse carismático felino podemos também tecer considerações sobre o seu habitat, a Biblioteca de Spencer, cidade localizada no estado de Iowa. EUA. Quem pensa que edifícios se resumem a projetos fantásticos, não percebe que os espaços são feitos também de percepções e sentimentos.
A foto ao lado mostra a Biblioteca de Spencer, construída no começo do século passado. Um exemplar das Bibliotecas Carnegie. O projeto dessas bibliotecas, mais de 2500, incrementava a comunicação entre a bibliotecária e o público, incentivando a esse o descobrir seus próprios livros. Há uma descrição interessante delas em um dos capítulos do livro, onde são descritas como a biblioteca da infância das pessoas: "essas bibliotecas pareciam projetadas para fazer as crianças acreditarem que você poderia se perder lá dentro, e ninguém jamais o encontraria- e isso seria a coisa mais maravilhosa que poderia acontecer."

Na década de 70, foi derrubada para dar lugar a uma biblioteca maior. E segundo a autora, um desastre, já que nada tinha a ver com a arquitetura local de Spencer.
Toda em concreto, era gélida, parecendo um bunker. "Para dizer de maneira mais simples, o prédio não era adequado para uma cidade como Spencer..... A fachada não combinava com o entorno. O interior não era prático nem simpático. Não fazia você querer sentar e relaxar. Era frio em todos os sentidos."
Mas graças a uma reforma interna, mudando cores e espaços, e ao gatinho Dewey, essa biblioteca ganhou vida e se tornou um local mais acolhedor, visitado por milhares de pessoas.
Ou seja, um espaço é realmente bem mais do que apenas aspectos físicos e por isso temos que tomar cuidado ao pensar um projeto sem pensar nos seres que o ocuparão.

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