Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Consumidor da construção - 6 perguntas pertinentes

Fala-se muito em sustentabilidade na arquitetura. Construções e materiais inteligentes e ecologicamente corretos fazem a cabeça de muitos clientes e profissionais. Todos visando fazer de suas escolhas uma amostra de suas preocupações com o meio ambiente. E uma coisa que sempre repiso é: questionar e tomar consciência dos hábitos de consumo são fundamentais. E sendo 15 de março o dia do consumidor, essa questão é ainda mais pertinente. O Instituto Akatu, que acompanho de muito tempo, lançou um roteiro com seis questões a serem feitas por quem consome. 


E como ficam essas perguntas no terreno da construção civil? Procurei pensar e a respeito e reunir algumas considerações que já venho defendendo faz tempo. Exatamente porque a questão do consumo me é muito cara. Não é a toa que fiz minha dissertação de mestrado justamente sobre o comportamento de compra do consumidor de imóveis residenciais. Desde então tenho me debruçado muito sobre o consumo e principalmente sobre a consciência ao consumir. Então vamos pensar juntos sobre as SEIS PERGUNTAS DO CONSUMO CONSCIENTE

1. Por que comprar?

O setor de construção e reformas, passando pelos projetos é muito amplo. Porque pessoas compram casas ou apartamentos, por exemplo? Para realizar um sonho, para resolver um problema, para satisfazer uma necessidade. Reforma ou obra nova? Muitos clientes já me questionaram e, juntos, analisamos aspectos para checar qual a melhor alternativa. Uma cozinha inteiramente nova ou aproveitamento de muitas coisas - com um toque de economia e criatividade. Cada caso merece uma análise própria e esse questionamento a fundo é uma etapa importante para que se tenha a real dimensão da necessidade da compra. E lembre projeto também se compra. E aí vamos para a segunda questão:  

2. O que comprar?

Feito o levantamento minucioso das necessidades podemos elaborar exatamente o que comprar. Uma casa nova, menor e mais moderna? Uma antiga, com peças maiores e com necessidade de rearranjos? Materiais ultra, mega rotulados de selos verdes? A última novidade do mercado? Materiais encontrados no entorno? Leve em consideração que transportar uma mercadoria hiper verde lá de longe pode gastar muita energia em transporte. Procure, se informe, sugue seu arquiteto, designer, engenheiro. Peça informações técnicas e não se deixe levar apenas por uma aparência bonita. E cheque se a NBR 15575/2003 está sendo seguida.

3. Como comprar?

Financiamento? Compra a vista? Da macro ao micro componente da construção civil, todos devem ser comparados dentro de parâmetros de custo/beneficio.  Se existe um bom conselho em termos de compra no setor é: não faça economia porca. Ou seja, as compras são mais perenes, escolha bons materiais, que ofereçam segurança, economia de energia e principalmente, assistência pós venda. Vale de imóveis prontos, usados a materiais e principalmente mão de obra. Do projetista ao pintor. Procure tudo que se adeque em seu bolso, mas dentro desse parâmetro, procure os melhores. Erros na construção civil costumam ser muito caros. Quando não são fatais.  

4. De quem comprar?

Procure sempre checar o histórico das empresas, faça pesquisas na internet para saber se tem reclamações. Entre duas escolhas aparentemente iguais, sempre que possível, procure escolher a que se propuser a respeitar o meio ambiente, os cuidados com a produção, a limpeza e o respeito a você, consumidor. Mais que palavras e promessas bonitas, cheque as realizações. Guarde todas as informações prestadas, as ofertas. E faça isso de forma que, a qualquer problema, você tenha documentos para comprovar o que foi ofertado. Peça sempre por escrito. E não esqueça: Atendimento Pós venda é fundamental. 

5. Como usar?

Ao comprar um imóvel novo se recebe um manual do usuário. Leia e releia. Ele tem informações de como usar e de como fazer a manutenção de sua casa. Assim vale para componentes e quase tudo o que você comprar para sua obra, reforma, casa. Tenha uma pasta para esses documentos. Guarde os telefones de mão de obra. E use seu imóvel e tudo o que estiver em seu interior com senso de economia e inteligência. E não apenas o interior: se morar em apartamento ou condomínios fechados, preserve as áreas comuns. Respeite a sua vizinhança. Quanto mais tempo durar o seu piso, a sua pintura, o seu jardim, etc, mais responsável com o não desperdício e, consequentemente, com a preservação do meio ambiente você estará sendo.    

6. Como descartar?


O descarte na construção civil gera um impacto ambiental bastante significativo. Desde o retrabalho por erros de projeto e/ou execução, passando pelo quebra quebra da construção tradicional que constrói e demole para colocar encanamentos, por exemplo, seja em obras novas ou em reformas, este é um problema estudado desde muito. Outro problema é quando a sua mão de obra descarta resto de material no ralo comum dos prédios. Parece brincadeira, mas já vi muito problema acontecer assim. 


Um colega, arq. Roberto Steneri, especialista em construção sustentável, já falou AQUI que podemos fazer três coisas no final da vida útil dos materiais e componentes :

1- reutilizar as partes numa nova construção por ex.usando madeiras e perfis metálicos de demolição.
2- reciclagem dos materiais usando por ex. concreto quebrado como árido para um novo concreto.
3- demolir a edificação e verter os resíduos num aterro.

O chamado entulho, aquilo que sobra da obra e que vemos nas tradicionais caçambas e tele entulhos pelas cidades tem que ser destinado para locais específicos. Cheque se a empresa que for contratada faz uma destinação legal do seu entulho.

Veja mais informações sobre reciclagem de entulho AQUI

"Os resíduos encontrados predominantemente no entulho, que são recicláveis para a produção de agregados, pertencem a dois grupos:

Grupo I
Materiais compostos de cimento, cal, areia e brita: concretos, argamassa, blocos de concreto.

Grupo II
Materiais cerâmicos: telhas, manilhas, tijolos, azulejos.

Grupo III

Materiais recicláveis para outros fins: solo, metal, madeira, papel, plástico, matéria orgânica, vidro e isopor. Desses materiais, alguns são passíveis de serem selecionados e encaminhados para outros usos. Assim, embalagens de papel e papelão, madeira e mesmo vidro e metal podem ser recolhidos para reutilização ou reciclagem.
Em algumas usinas de reciclagem de entulho, o gesso é enviado a cimenteiras para mistura."


Ou seja, a construção civil é um setor complexo, com escalas diversas e que merece, por parte dos consumidores, uma análise aprofundada e uma vigilância constante para que realmente o sonho de ter uma casa, um ambiente, um edifício não se transforme em pesadelo.   


Leia mais:
Arquitetura e o usuário
E o cliente, o que quer?
Satisfação do cliente comprador de imóvel

6 perguntas do consumo consciente

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#DiaDoConsumidor e #6PerguntasConsumoConsciente.  

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