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Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Transformando Espaços: Arquitetura para Idosos com Alzheimer

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O envelhecimento da população trouxe desafios que vão além das questões médicas. Entre eles, está a criação de ambientes que proporcionem conforto, segurança e suporte terapêutico para idosos com demência, especialmente os portadores de Alzheimer. Segundo o estudo de Sousa e Maia (2014), "o ambiente físico possui grande potencial para contribuir com a melhora dos sintomas da Doença de Alzheimer, sendo possível criar espaços que minimizem confusões e promovam a orientação espacial." A progressão do Alzheimer, com sintomas como perda de memória, desorientação e alterações de humor, exige ambientes que favoreçam a autonomia e minimizem riscos. Baseando-se em evidências do estudo citado, algumas estratégias podem transformar a arquitetura em um recurso terapêutico: 1. Iluminação Uma iluminação adequada é essencial para melhorar a orientação e o ritmo circadiano. Recomendam-se níveis de iluminância entre 300 e 700 lux, com luz uniforme e ausência de sombras que possam confundir o ...

O Impacto do Envelhecimento Populacional no Brasil e os Desafios Arquitetônicos

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Nos últimos anos, o Brasil tem vivenciado um fenômeno demográfico que impacta diretamente várias áreas da sociedade: o envelhecimento acelerado da população. De acordo com o Censo 2022, atualmente mais de 32 milhões de brasileiros têm 60 anos ou mais, representando cerca de 15,8 % da população total. Este crescimento demográfico, impulsionado por avanços na medicina e na qualidade de vida, coloca em destaque a necessidade de adaptações em diversos setores, incluindo a arquitetura. O Censo de 2022 também registrou que o número de pessoas com 65 anos ou mais cresceu 57,4% em 12 anos e que a idade média da população brasileira aumentou 6 anos desde 2010 e atingiu os 35 anos em 2022. O número de centenários registrados pelo censo eram de 37.814 pessoas e as regiões com maior número de pessoas idosas são o Sudeste ( 17,64%)  e o Sul (17,60%), sendo os estados de Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Minas Gerais os com maior número de pessoas idosas.  Os desafios ...

Espaços que Cuidam: A Importância da Gerontoarquitetura no apoio a pessoas idosas acumuladoras

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Você já reparou como, em algumas casas, tudo parece ter uma história? Aquele cantinho cheio de objetos acumulados, que aos olhos de uns pode parecer bagunça, mas para quem mora ali carrega memórias, afeto e até um certo conforto. Agora, imagine quando esse apego aos objetos ou o descuido com o lar e a própria aparência passam do ponto e começam a afetar a qualidade de vida de alguém, especialmente de uma pessoa idosa. Isso é mais comum do que pensamos e pode estar relacionado a questões como a Síndrome de Diógenes ou o Transtorno de Acumulação. Não estamos falando apenas de “gostar de guardar coisas”, mas de situações que podem trazer muitos desafios para quem vive e para quem convive. Como arquitetos e apaixonados por transformar espaços, acreditamos que o ambiente tem um papel fundamental na qualidade de vida – mesmo (e principalmente) em casos tão delicados como esses. Vamos explorar como o design de interiores e a arquitetura podem ajudar a criar espaços mais funcionais, acolhedore...

Como usar o chat gpt para auxiliar a produção de conhecimento(e não apenas para copiar e colar)

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A inteligência artificial e seus múltiplos aplicativos veio para ficar. Não adianta lutar contra o progresso. Mas como fazer com que ela auxilie a aquisição de conhecimento e não seja apenas uma ferramenta de gerar conteúdo para o ser humano? Afinal, que graça tem um livro ou um artigo totalmente gerado por uma IA? Usei um prompt simples: "Use a técnica de Feynman para criar um plano de estudos para aprender sobre espaços de gerontoarquitetura de modos que possa usar a regra de Pareto neste esforço" Explicando primeiro o que são estas técnicas que, a de Pareto eu já tinha ouvido falar, mas na verdade nunca estudei a fundo, e a de Feynman vi em uma postagem de rede social como sendo uma técnica criada por Nobel  (embora pelo que entendi tenha sido criada por um vencedor do Nobel): Técnica de Feynman É uma forma de aprender algo de verdade. Você pega o que quer estudar e tenta explicar como se fosse para uma criança. Se não conseguir, é porque tem partes que você ainda não ent...

Repensando o Futuro: Envelhecer com Dignidade em Espaços que Inspiram Vida

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Nos últimos anos, vimos mudanças significativas nas terminologias usadas para designar espaços dedicados aos cuidados de idosos. O que antes chamávamos de "asilos", agora atendem por nomes mais técnicos, como Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs). Apesar da tentativa de modernizar o discurso, o problema central permanece: muitas vezes, esses lugares ainda são percebidos como " depósitos de velhos ", reflexo de uma sociedade que não sabe lidar com o envelhecimento. Essa realidade nos convida a uma reflexão profunda. Falhamos, como sociedade, ao transformar a velhice em um período de isolamento e descarte. No entanto, há caminhos possíveis para mudar esse cenário. Como arquiteta e pesquisadora da relação entre envelhecimento e espaços construídos, acredito que pequenas ações podem criar grandes mudanças. Abaixo, apresento três abordagens que unem saúde mental, arquitetura e convivência, para projetar um futuro mais digno para nossos idosos. 1. Espaços ...