Comunicação pública, acessibilidade e cidadania: quando as escolhas falam mais alto

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Vivemos tempos curiosos. Nunca produzimos tanta informação e, ainda assim, milhões de pessoas seguem excluídas de decisões que afetam diretamente suas vidas. Muitas vezes a barreira não está na falta de acesso à internet ou aos meios de comunicação. Ela se encontra muitas vezes na linguagem, na complexidade desnecessária, na distância criada entre quem comunica e quem precisa compreender. Foi com essa reflexão que participei, como assessora de acessibilidade, do 1º Congresso Gaúcho de Comunicação Pública, realizado em Porto Alegre. Promovido pela Dominus Consultoria e Capacitação em parceria com a Estratégia de Comunicação & Copy Sawitzki Inovação e Experiência Humana, o evento reuniu profissionais, gestores públicos, pesquisadores e especialistas para discutir temas que hoje ocupam lugar central na vida democrática. Ao longo do dia, palestrantes como Sandra Bitencourt, Maria José Finatto, Rodrigo Abella, Soraia Hanna, Daniela Machado, Leandro Rolim e Gustavo Ferenci compartilhar...

E qual é a sua versão ?

Imagem criada por Elenara Stein Leitão no Polyvore

Cada vez mais a verdade é uma versão. Antigamente, (pelo menos quando eu era pequena) as verdades costumavam ser buscadas em enciclopédias. Elas eram críveis para nós, que as buscávamos em um mundo que mudava bem mais devagar. A minha confiança em jornais e livros se abalou quando morava em Brasilia. Época da Ditadura militar, censura de imprensa. Comecei a comparar o que sabia estar acontecendo e o que saia nos jornais. Devia ter uns 14 anos, mas me lembro bem do sentimento de que nem tudo o que se lê nas manchetes é o que realmente acontece. Depois me surpreendi com uma versão da nossa história lida em um pais vizinho onde nossos heróis eram vilões. E compreendi que a versão depende do lado de quem vive a história.

"Quem controla o passado, controla o futuro: quem controla o presente controla o passado. E no entanto passado, conquanto natureza alterável, nunca fora alterado. O que agora era verdade era verdade do sempre ao sempre. Era bem simples." George Orwell

E hoje, com a Google, com a disseminação de qualquer coisa em forma viral, onde influencers viram celebridades da noite para o dia, como saber o que é verdade ? Existe a verdade ? Ou existem versões conforme o viés de quem a conta ?

"...Essa era a sutileza derradeira: induzir conscientemente a inconsciência, e então, tornar-se inconsciente do ato de hipnose que se acabava de realizar." George Orwell

Pesquisas ditas cientificas e chanceladas por n institutos servem de apoio a patrocinadores e seus interesses. A imprensa é uma indústria, depende de anúncios e consequentemente também a interesses de quem paga. Ou de quem é dono dos órgãos de comunicação. As tendências são lançadas de acordo com interesses. Se hoje usamos laranja nas roupas e/ou paredes ou se consumimos produtos x ou y, em algum local isso foi muito bem planejado e orquestrado. E cada dia somos mais marionetes de um mundo governado pelos reais Big Brothers.

Cada vez se faz mais necessário achar fontes confiáveis e com credibilidade. Nos livros, na vida, no Google...

Texto escrito em 2012 e que continua, infelizmente, muito atual em um mundo de narrativas

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