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2017/06/08

Arquitetas/os e o amor: uma relação complexa

O modulor de Mestre Corbu espargindo amor...encontrei em uma postagem com 105 cartões para o Valentine's Day (o dia dos namorados lá de fora). Mas poderia muito bem representar a relação de muitos profissionais com a Arquitetura. Um profundo, apaixonante, as vezes esquizofrênico, namoro cheio de excelentes momentos, muitas DRs e várias expectativas....  
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Lembro disso nesse início de junho, perto do dia 12, quando se comemora aqui no Brasil o dia dos Namorados e vemos as lojas, TVs e redes sociais se encherem de corações e mensagens enamoradas, cooptando os apaixonados a exercerem o seu papel no nosso mundo (ocidental). O qual seja, consumirem ao mostrar o seu amor. Seja em joias, flores, roupas, jantares ou horas de êxtase em motéis, o dia deve ser marcado pelo que se considera romantismo.

Não me entendam mal: adoro demonstrações de amor. (agora mesmo escrevo para vocês escutando Bethânia derramar canções de saudades e amor). Fico imaginando que o amor ao lado de quem se ama é tão gostosamente inspirador que deve ser comemorado com criatividade. Tipo esse mapa do carinho que encontrei em outro site sobre presentes de amor. Quem não ia gostar de receber essa coisa tão mimosa (tá, é presente de alma feminina, eu entendo) de relembrar momentos gostosos ao lado da pessoa amada.
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Bilhetinhos amorosos espalhados pela casa também podem acender aquele fogo interno e fazer com a gente fique mais dengosa. E dengo é sinônimo de comemorar o amor...
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Um ambiente bonito, um vinho e uma troca de olhares...nada mais é necessário. Uma boa música talvez....
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Tudo bem, comecei amena apenas para pensar um pouco a intensa relação que existe entre a Arquitetura e o Amor. Pensem comigo, um dos simbolismos poderosos que movem a construção de prédios qual é? O amor! Do indiano Taj Mahal ao  Prasat Hin Phimai na Tailândia, temos vários exemplos de construções motivadas pelo amor de uma pessoa pelo seu par. Mesmo para os casais mais prosaicos arriscaria dizer que grande parte da arquitetura cotidiana é gerada pelo amor entre as pessoas. Casas e espaços que vamos projetando para servir de cenário às mais variadas histórias de amor. Umas mais extasiantes. Outras mais normais. Todas intensas. Todas gerando expectativas e poesias. Tá, nem todas, eu sei. Mas ouvindo uma música inspiradora e em plena época de louvação ao amor, vá lá se saber se aquele casal tão sem sal para nós, não encerra uma história que ninguém ousaria imaginar entre as quatro paredes de seu quarto. Ou em qualquer outro ambiente em que expressem seu companheirismo e sintonia (ou falta dela).
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E aqui chegamos à esta complexa convivência que é a relação dos arquitetos com a sua profissão. Sei que muitas pessoas tem a felicidade de poder trabalhar no que gostam, mas deixa puxar a sardinha para a que conheço mais de perto. 

Trabalhamos com paixão. Não apenas a nossa no afazer arquitetônico. Mas a paixão de nossos clientes. Entramos em suas casas, eles nos falam de seus sonhos e mais que isso, nos revelam suas intimidades ao mostrar como vivem. Sabemos suas práticas de vida: como dormem, como acordam, como curtem comer, se recebem pessoas, se gostam de ler....Tudo. E desse novelo emaranhado de práticas e vontades fazemos uma realidade que seja ao mesmo tempo funcional, tenha firmeza e beleza.   
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Projetamos seus espaços de trabalho. Suas cidades que são as nossas. Passeamos do macro ao micro problema com a desenvoltura dos corajosos. Fácil? Somos assim tão maravilhosos e capazes, profissionais multicapazes? Debaixo dessa aparente multitarefas que nos tornamos, existe trabalho. Um curso que abarca das ciências humanas às exatas, que nos faz ter ideias de poeta, mas que ao invés de palavras, devem resultar em prédios que sejam materialmente responsáveis e cheios de construtibilidade. 

A construtibilidade é definida pelo Construction Industry Institute CII (1987) apud Griffith e Sidwell (1995) como: “O uso ótimo do conhecimento e da experiência em construção no planejamento, projeto, contratação e trabalho no canteiro, para atingir os objetivos globais do empreendimento”. (Fonte)

Nem sempre essa relação é tranquila. 

O próprio ato de criação é inquietador. Exige uma entrega de alma que nem sempre é simples. As escolhas exigem uma capacidade de síntese que doí, como toda poda. A autocrítica é intensa e permanente. Desconheço um arquiteto plenamente satisfeito com seu trabalho. Talvez por momentos, talvez tenham a consciência de que existe um momento de parar e apresentar uma solução. Mas deixe passar um tempo, cabeça mais fria e logo a mente borbulha e novas soluções aparecem. Faz parte do processo. É bonito. É complicado.

Nem sempre a melhor solução para nós recebe o aplauso unânime da platéia. Aprender a conviver com isso é uma das tarefas de manter a sanidade em dia.

Há dias gloriosos. Há dias de desencanto. Como  toda relação apaixonada. 

Assim, parceiros de arquitetos/arquitetas (se não forem também da área) aprendam a entender essas mentes inquietas que no meio de um jantar romântico se perdem a olhar detalhes de uma ambientação e que os levam à romarias de igrejas e palácios em viagens de lazer. Que passam noites em claro, na companhia de CADs, renders e planilhas. E acordam loucos de sono e antes do beijo do bom dia, correm para atender os clientes nos whatsapps da vida....mas que também vão desenhar com minúcias suas festas, suas casas, seus escritórios. E vão lhe surpreender com cartões hiper/mega criativos....

Mas lembrem que... (embora a pesquise aponte para uma situação, creio que a inversa também é verdadeira)

Papo de Arquiteto
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