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2014/09/06

Verdejando e amarelando

Dia da pátria. Sempre me lembra verde e amarelo. Interessante que verdejante tem uma conotação positiva, algo que cresce, que se projeta para cima. Já amarelando tende para o medroso, algo que se esconde, que não se mostra. De repente me passou que vivemos nesse eterno dilema: entre a promessa de ser uma potência - o tão chamado Brasil do futuro que por anos aprendi a suspirar e imaginar quando viria. E o sentimento meio de vira lata, tipo do que nada dá certo porque somos enfim brasileiros e aqui tudo é mal feito, é mau acabado, é tipo assim coisa de terceiro mundo.

Mas temos tanta coisa bacana e sempre admirei tanto esse país que me aproximo mais do lado verdejante. 

Fiquei aqui pesquisando nossas cores e achei tantas referências bacanas que tive que dividir aqui. Em geral gosto mais da mistura do verde e amarelo no exterior, usando a vegetação como contraponto de pinturas mais alegres. Mas também no interior essa combinação pode dar um clima todo alegre. Esses tons mais vivos eu recomendo mais em casas de veraneio porque são bastante expressivos. A gente tem que se conscientizar que podem cansar no dia a dia.
Mas de repente uma mistura de tons fortes pode também ficar bem bacana desde que bem dosado.
Outra maneira de usar nas nossas casas é usar em móveis, como elementos pontuais. Marcam e não cansam.
Já os tons mais suaves dos verdes e amarelos combinam com ambientes mais formais. Fazem um belo contraponto e aquecem o ambiente.
Uma das nossas características mais bacanas para mim é a generosidade de receber pessoas. Abrimos as portas, abrimos nossas casas e desde sempre somos uma saudável mistura de raças, de religiões, de culturas. Isso nos enriquece. Nosso lado macunaimico de assimilar esse imenso calos, transforma-lo e reinventa-lo em algo nosso me encanta.
Vemos isso em nossas ruas e renomados pensadores nos citam como uma sociedade que pode contribuir muito com a melhoria do mundo. Para gáudio dos verdejantes e imenso arrepio dos amarelados.

Enfim, somos um pais potencialmente rico, especialmente daquilo que teimamos em não valorizar tanto: em cultura. Afinal, em que reside a nossa brasilidade? Para você? O que seria isso?
Estaria em nossa alegria, em nossas cores, em nossa capacidade transformadora. Ou estaria em nosso modo meio caipira de ser, uma coisa meio infantil e conservadora? 

Se você conseguir definir, compartilha com a gente. Porque cá entre nós, o que para mim afirma nossa nacionalidade é um modo intrigante de ser. Sem definição e sem formas muito rigidamente definidas. 
 
Somos um país em construção. E por isso mesmo somos criativos. Ainda somos uma sociedade aberta. Tomara saibamos valorizar isso.

Achei as fotos no Google e Pinterest e não consegui pegar os links da autoria. Se alguém se sentir prejudicado, me passe as referências que coloco a autoria. Ou se quiser que seja retirada, também providencio.

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A minha pátria é como se não fosse, é íntima
Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílio
Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades de minha pátria.

Se me perguntarem o que é a minha pátria direi:
Não sei. De fato, não sei
Como, por que e quando a minha pátria
Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água
Que elaboram e liquefazem a minha mágoa
Em longas lágrimas amargas.
Vontade de beijar os olhos de minha pátria
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos...
Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias
De minha pátria, de minha pátria sem sapatos
E sem meias pátria minha
Tão pobrinha!

Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho
Pátria, eu semente que nasci do vento
Eu que não vou e não venho, eu que permaneço
Em contato com a dor do tempo, eu elemento
De ligação entre a ação o pensamento
Eu fio invisível no espaço de todo adeus
Eu, o sem Deus!

Tenho-te no entanto em mim como um gemido
De flor; tenho-te como um amor morrido
A quem se jurou; tenho-te como uma fé
Sem dogma; tenho-te em tudo em que não me sinto a jeito
Nesta sala estrangeira com lareira
E sem pé-direito.

Ah, pátria minha, lembra-me uma noite no Maine, Nova Inglaterra
Quando tudo passou a ser infinito e nada terra
E eu vi alfa e beta de Centauro escalarem o monte até o céu
Muitos me surpreenderam parado no campo sem luz
À espera de ver surgir a Cruz do Sul
Que eu sabia, mas amanheceu...

Fonte de mel, bicho triste, pátria minha
Amada, idolatrada, salve, salve!
Que mais doce esperança acorrentada
O não poder dizer-te: aguarda...
Não tardo!

Quero rever-te, pátria minha, e para
Rever-te me esqueci de tudo
Fui cego, estropiado, surdo, mudo
Vi minha humilde morte cara a cara
Rasguei poemas, mulheres, horizontes
Fiquei simples, sem fontes.

Pátria minha... A minha pátria não é florão, nem ostenta
Lábaro não; a minha pátria é desolação
De caminhos, a minha pátria é terra sedenta
E praia branca; a minha pátria é o grande rio secular
Que bebe nuvem, come terra
E urina mar.

Mais do que a mais garrida a minha pátria tem
Uma quentura, um querer bem, um bem
Um libertas quae sera tamem
Que um dia traduzi num exame escrito:
"Liberta que serás também"
E repito!

Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa
Que brinca em teus cabelos e te alisa
Pátria minha, e perfuma o teu chão...
Que vontade de adormecer-me
Entre teus doces montes, pátria minha
Atento à fome em tuas entranhas
E ao batuque em teu coração.

Não te direi o nome, pátria minha
Teu nome é pátria amada, é patriazinha
Não rima com mãe gentil
Vives em mim como uma filha, que és
Uma ilha de ternura: a Ilha
Brasil, talvez.

Agora chamarei a amiga cotovia
E pedirei que peça ao rouxinol do dia
Que peça ao sabiá
Para levar-te presto este avigrama:
"Pátria minha, saudades de quem te ama...
Vinicius de Moraes."

Grande poetinha, escrevia em seus tempos de diplomata a saudade da terra amada, tantas vezes posta de escanteio por tantos que dela quem direitos mas se negam aos deveres de cidadania. Abraços

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